Évora estava indecisa quanto a fazer ou não meditação. Sua melhor amiga
Mariana enfatizou a importância desta prática no jantar da semana
passada.
Havia uma certa resistência sua e, de certa forma, um preconceito quanto a este assunto. Évora pensou:
– Cheguei aos meus 40 anos e nunca precisei disso.
Mas a epifania que teve em frente ao seu espelho do banheiro,
encontrando o vazio, havia se manifestado em um estado de dúvida e
novidade: ela não sabia o que fazer pela primeira vez.
Seu íntimo era um terreno fértil e pouco explorado.
Começou a analisar o tema e pesquisar em publicações confiáveis. Em uma
de suas pesquisas ela encontrou o conceito de meditação:
“Meditar é definido como a condição ou atitude de voltar-se para o
centro no sentido de desligar-se do mundo exterior e voltar a atenção
para dentro de si ou concentrar-se intensamente em algo.” Secretaria de
saúde/DF.
Ela pensou:
– Eu sempre me cuidei. Nunca permiti o abalo de minha dignidade. Ao
mesmo tempo, nunca voltei minha atenção para dentro de mim com
intensidade e profundidade que mereço.
A pesquisa seguiu. Ela encontrou uma referência conhecida: Daniel Goleman. Comprou no mesmo instante um de seus livros:
Por que meditamos: A ciência e a prática da clareza e da compaixão.
A palavra clareza foi como um insight instintivo:
– Eu preciso disso, ela pensou.
Começou a ler uma entrevista realizada com ele:
“Muitas pessoas relatam dificuldade em parar com os pensamentos, relaxar a mente. O que fazer?
Todos que começam a meditar pensam que sua mente está louca, fora de
controle. Mas essa é a prática. É trazer sua atenção para aquela única
coisa. Você pode usar um mantra, ou um ritmo para a respiração, não
importa. A grande luta é com sua própria mente, com
seus pensamentos e você deve se lembrar que todo mundo passa por isso
mesmo, não é só com você.”
O que chamou a atenção dela nesta parte da entrevista foi a prática de
trazer a atenção para uma única coisa. Évora lembrou de seu trabalho e
das reuniões na sua empresa. Sua capacidade de perceber várias situações
ao mesmo tempo era notável.
Mas algo a incomodava: algumas pessoas pararam de expressar suas
opiniões e evitavam se expor. Sua curiosidade era tamanha: ela ligou
para uma de suas funcionárias.
A conversa foi amena. A objetividade e a gentileza de Évora eram impressionantes.
– Por qual razão você parou de expressar suas opiniões nas reuniões?
– Você percebeu?
– Sim!
– O que houve?
– Posso ser sincera?
– Claro?
– Você só escuta o que deseja escutar. Costumamos enfatizar nossa
posição claramente. Por esta razão, algumas de nós preferiram ficar
quietas.
Évora parou por um instante e perguntou:
– Você quer dizer que não presto atenção como deveria?
– Sim. Mas penso que você tenta dar atenção a todos da mesma forma e
procura acompanhar tudo o que acontece. Acredito que seu foco está
disperso. Sei que fazer uma atividade de cada vez é difícil para nós
mulheres, mas ao mesmo tempo, desejamos ter qualidade
em nossas relações.
– Foco, então? Hum….Évora pensou:
– Se ela teve esta coragem, deve ser verdade. Ela trabalha comigo há vários anos.
– Obrigado querida. Sua sinceridade é uma benção. Falaremos mais tarde. Um abração.
Após a ligação, foi pesquisar se o autor reconhecido, Daniel Goleman,
tinha alguma orientação sobre o foco. Ela descobriu que ele tem um livro
sobre o tema.
Encontrou três tipos de foco diferentes:
- o foco Interno: a capacidade de se concentrar apesar das distrações;
- o foco Externo: a habilidade de analisar o ambiente, entendendo o panorama geral;
- o foco Empático: a faculdade de concentrar sua atenção em uma pessoa. O jeito como entendemos, falamos e conduzimos as pessoas.
Ela pensou:
– Será que para ampliar meu foco, a meditação é um caminho?
– Estou contando os dias para a chegada dos livros.
Eram muitas confabulações íntimas e possibilidades. Duas conclusões lhe pareciam óbvias:
– Preciso estudar mais sobre os temas e, ao mesmo tempo, entender como aplicá-los no dia a dia.
Uma questão subliminar estava clara em sua forma de pensar:
Ela sempre buscava esclarecimentos antes de transformar qualquer conhecimento em uma
verdade para si e uma rotina em sua vida. Ela amava sua dinamicidade. Mas era cética com quase tudo.
Uma bênção e um desafio permanente…
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
























