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Home Colunistas

Entre fraturas e fôlego: lições da pele e da alma

Escolha um caminho propositivo. Seja sábio: você não precisa se expor a dores desnecessárias.

César Silva Por César Silva
25/08/2025 - 06:30
em Colunistas
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Durante anos, carreguei uma dúvida como quem carrega uma pedra no bolso: o sofrimento ensina mais que a sabedoria?

Não foi uma pergunta que surgiu num café filosófico ou numa conversa de fim de tarde. Ela nasceu comigo, aos nove anos, quando minha história começou a se desenhar com traços duros — fraturas, cirurgias, diagnósticos, quedas e recomeços. A vida, desde cedo, me apresentou o lado áspero da existência. E eu, curioso e inquieto, fui tentando entender se tudo aquilo fazia parte de um plano maior ou apenas de um roteiro mal escrito.

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Os números impressionam, mas não definem: dois cânceres, onze cirurgias, sete fraturas, nove ombros deslocados, três episódios depressivos e uma rinite alérgica que insiste em me lembrar que respirar também pode ser um desafio. Sem contar as descobertas genéticas que vieram como notas de rodapé no meu DNA.

Mas não estou aqui para reclamar. Nunca estive. Cada uma dessas experiências me trouxe algo — um aprendizado, uma pausa, uma nova lente para enxergar o mundo. Lembro de uma noite em que, cansado de tentar entender, simplesmente questionei:
– Por que sofrer para aprender?
A resposta não veio em forma de milagre, mas apareceu tempos depois, numa frase da Mel Robbins que parecia ter sido escrita para mim:
“Quando você para de controlar coisas que não lhe cabem, você retoma seu tempo, sua paz de espírito e seu foco.”
Foi aí que entendi: não preciso carregar fardos que não me pertencem. A opinião dos outros só pesa se eu permitir. Escolho minhas batalhas com mais critério. E, acima de tudo, aceitei meu caminho — com suas curvas, seus buracos e suas paisagens inesperadas.
A maturidade chegou como quem não pede licença, mas traz presentes. Um deles foi a meditação profunda e consciente. Sua prática me ajudou a ouvir o silêncio e a perceber que a evolução é um processo solitário, através do autoconhecimento, e, paradoxalmente, coletivo: precisamos uns dos outros para crescer, mesmo que o crescimento seja uma escolha pessoal.
Foi nesse processo que voltei à pergunta inicial: será que o sofrimento é mesmo necessário para evoluir?
Durante muito tempo, acreditei que sim. Era o que diziam as vozes da religião, da cultura, da tradição. “É preciso sofrer para aprender.” Mas com o tempo, comecei a desconfiar dessas verdades herdadas.
Percebi que posso – sim – aprender com os erros dos outros. Não sou São Tomé. Posso ser sábio sem precisar tocar as feridas.
A sabedoria, descobri, não é um troféu no fim da corrida. É o próprio caminho. É saber quando parar, seguir, ouvir e calar. É enxergar além da superfície e buscar sentido até nas pequenas coisas: como o cheiro da chuva ou o silêncio de um abraço.
Então, respondendo à pergunta que me acompanhou por tantos anos: o sofrimento ensina mais que a sabedoria?
Não. O sofrimento ensina, sim — mas não mais. E nem melhor. Aprender com o outro, com empatia, com humildade, é também um ato de sabedoria. A vida não é uma sucessão de dores, mas uma sequência de desafios.
E o melhor: não precisamos enfrentá-los sozinhos. Basta reconhecer que todos estamos, de alguma forma, tentando evoluir. Escolha um caminho propositivo. Seja sábio: você não precisa se expor a dores desnecessárias.
Basta escolher ser um eterno aprendiz, como nos afirma a notória música de Gonzaguinha:
“Viver… e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar, e cantar, e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz…”
#Autoconhecimento #Reflexão #Sabedoria #EternoAprendiz #FraturasDaAlma #Meditação #Resiliência #Gonzaguinha #MelRobbins #CrescimentoPessoal
Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
Leitura do artigo com César Silva:
https://www.youtube.com/watch?v=TxsHKH_z5Go

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Tags: câncerDNAfratura

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