O hamburguense Emilio Kerber Filho atuou, ao longo de 2025, como diretor Administrativo-Financeiro da Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo.
Durante quase todo o primeiro ano do prefeito Gustavo Finck (PP) no comando da Prefeitura hamburguense, ele integrou o núcleo forte de decisões da Comusa. Até que, em novembro de 2025, foi exonerado.
Sem filiação partidária, Kerber foi indicado ao cargo na Comusa em razão de suas conexões com o deputado federal Luciano Zucco (PL), o Tenente-Coronel Zucco. Kerber deixou a função de diretor num período em que houve outras baixas de lideranças estratégicas no governo Finck, como a ex-secretária Andréa Schneider Pascoal e o ex-diretor de Comunicação Orestes de Andrade Jr.
ARTIGO
Sendo de direita e tendo ligações com lideranças do bolsonarismo, Kerber segue acompanhando o ambiente político em Novo Hamburgo. A partir disso, escreveu um artigo sugerindo a publicação no Portal Martin Behrend. Confira abaixo
Incompetência, irresponsabilidade e imaturidade: Os 3 i’s que fazem Finck seguir à risca o caminho do impeachment de Dilma Rousseff
A política brasileira já mostrou inúmeras vezes que crises administrativas podem ser contornadas. O que normalmente derruba governos não são apenas os problemas em si, mas a forma como seus líderes reagem a eles.
E é justamente aí que surge uma pergunta cada vez mais presente nos bastidores de Novo Hamburgo: Gustavo Finck está aprendendo com os erros da história ou está caminhando na mesma direção que levou Dilma Rousseff ao colapso político?
A recente polêmica envolvendo denúncias relacionadas à remuneração da secretária da Fazenda e a discussão sobre a possível convalidação de atos administrativos acendeu um sinal de alerta que vai muito além da questão jurídica.
O problema já não é apenas o conteúdo da denúncia.
O problema é a percepção política que está sendo construída.
Governos costumam entrar em zona de risco quando passam a acreditar que possuem razão suficiente para ignorar críticas, questionamentos e alertas vindos da sociedade, da imprensa, do Legislativo e até mesmo de antigos aliados.
Foi exatamente esse ambiente que marcou os últimos anos do governo Dilma Rousseff.
Antes do impeachment, Dilma não caiu porque acordou um dia sem apoio político.
Ela perdeu apoio gradualmente.
Perdeu a capacidade de dialogar.
Perdeu a capacidade de formar consensos.
Perdeu a capacidade de construir pontes.
E, principalmente, passou a transmitir a imagem de um governo fechado em si mesmo, convencido de que todos os críticos estavam errados.
Na política, esse costuma ser um dos estágios mais perigosos para qualquer governante.
Quando um líder passa a enxergar apenas apoiadores e adversários, sem reconhecer interlocutores legítimos, o isolamento político começa a crescer silenciosamente.
Em Novo Hamburgo, o que se observa é uma sucessão de desgastes que poderiam ter sido tratados de forma mais transparente, mais rápida e com maior capacidade de diálogo.
Em vez disso, cada nova controvérsia amplia a sensação de confronto permanente entre governo, oposição e setores da sociedade.
A consequência é previsível.
A confiança começa a ser corroída.
Aliados ficam desconfortáveis.
A base política se fragiliza.
E a capacidade de governar diminui.
Isso significa que existe hoje fundamento para um afastamento do prefeito?
Não necessariamente.
A legislação estabelece critérios específicos para medidas extremas como impeachment ou cassação, e qualquer análise séria deve respeitar o devido processo legal.
Mas existe uma diferença importante entre risco jurídico e desgaste político.
Muitos governantes sobrevivem às crises jurídicas.
Poucos sobrevivem ao isolamento político prolongado.
A grande lição da história recente é simples: arrogância política costuma custar caro.
Governantes que deixam de ouvir, deixam de corrigir rumos e deixam de dialogar frequentemente descobrem tarde demais que o poder não é sustentado apenas pelo cargo que ocupam.
É sustentado pela confiança que conseguem preservar.
E essa confiança, quando perdida, raramente retorna na mesma velocidade com que desaparece.
Emilio Kerber Filho – Ex-diretor da Comusa no governo de Gustavo Finck
























