A CPI que vai investigar os salários da secretária municipal da Fazenda de Novo Hamburgo, Michele Vargas Antonello, foi um dos destaques na sessão da Câmara de Vereadores desta quarta-feira (17).
A CPI quer entender se as denúncias envolvendo o recebimento de dois salários pela secretária, há mais de um ano, têm fundamento. Michele é cedida pela Prefeitura de Santa Maria e estaria recebendo, mensalmente, dois valores cheios. Ela foi convidada para levar seus esclarecimentos ao Legislativo, mas não compareceu.
Na sessão de 10 de junho, os 14 vereadores se posicionaram sobre a criação da CPI.
VOTARAM A FAVOR DA CRIAÇÃO DA CPI
Luciana Martins (PT), Daia Hanich (MDB), Deza Guerreiro (PP), Enio Brizola (PT), Cristiano Coller (PP), Felipe Kuhn Braun (PSDB), Eliton Ávila (Podemos) e Joelson de Araújo (Republicanos)
VOTARAM CONTRA A CRIAÇÃO DA CPI
Giovani Caju Pereira (PP), Ricardo Ica Ritter (MDB), Ito Luciano (Podemos), Ico Heming (Podemos), Nor Boeno (MDB) e Juliano Souto (PL).
QUEM FOI CONTRA, AGORA QUER ESTAR NA CPI
Com a criação da CPI, começaram as movimentações nos partidos para indicar seus representantes na CPI. Cada partido pode indicar um nome. A escalação oficial dos componentes será divulgada na próxima semana pelo presidente do Legislativo, Juliano Souto (PL).
Então, foram aparecendo movimentações curiosas e com um cheiro diferente.
Vereadores que foram contra a criação da CPI, agora, querem estar na CPI. Um caso é do líder do governo e líder do PP na Câmara, Giovani Caju Pereira. Em seu primeiro mandato, o vereador envelheceu cedo no jogo político, sendo um corriqueiro praticante da velha política. Se ele foi contra ter a CPI, agora quer participar do grupo que vai investigar, sendo que seus dois colegas de PP, Cristiano Coller e Deza Guerreiro, poderão ser escanteados.
Quem também vem trabalhando nos bastidores é o veterano Ito Luciano (Podemos). Embora seu colega de sigla Eliton Ávila tenha sido a favor da CPI, a tendência é que seja indicado pelo Podemos o vereador Ico Heming, também adepto da troca de favores, ou o próprio Ito pode assumir essa tarefa.
MDB EM CHAMAS
A movimentação que mais chamou a atenção envolve o MDB. A vereadora Daia Hanich era a líder do partido na Câmara até segunda-feira e se indicou para ser a representante do partido na CPI. Contudo, os outros dois vereadores da sigla – Ricardo Ritter, o Ica, e Nor Boeno – atuaram os bastidores e tiraram o cargo de Daia. Nor assumiu como líder do MDB na Câmara e indicou Ica.
Eles eram contra a CPI. Ica chegou a afirmar, na semana passada, que as CPIs não eram produtivas. Agora se sabe o motivo: quando um parlamentar é contra um CPI, mas faz de tudo para participar das investigações, começa a se explicar os motivos de não se terem muitos resultados produtivos.
Diante de toda essa movimentação, chama a atenção que o governo Finck está se socorrendo em lideranças do governo da ex-prefeita Fátima Daudt para tentar abafar e fazer com que a CPI acabe em pizza.
Ricardo Ritter, o Ica, foi líder do governo Fátima na Câmara e, hoje, é vice-líder do governo Finck.
O vereador Nor Boeno foi defensor do governo Fátima e indicou vários CCs nos governos Fátima e, agora, Finck.
O atual presidente do MDB, Eliseu Raimundo, foi CC no governo Fátima e é CC no governo Finck.
Lineo Baum, que foi secretário municipal de Fátima Daudt, atualmente integra o gabinete de Ricardo Ritter.
E, para completar, Ito Luciano (Podemos) defendeu o governo Fátima e integra o governo Finck – sempre indicando CCs.
A lista tem mais nomes, mas esses são alguns dos nomes mais representativos.
Durante muito tempo, o prefeito Gustavo Finck (PP) fez várias críticas ao governo de Fátima Daudt (MDB). Agora, com a criação de uma CPI, ele se agarra em lideranças do governo Fátima para tentar abafar as investigações.
Se “quem não deve, não teme”, o que está por trás de tantas manobras do governo Finck e de seus aliados para impedir ou fazer a CPI acabar em pizza?

























