A lista de CCs empregados pelo governo do prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck (PP), só cresce. É sinal de dinheiro em caixa.
Se tivesse a suposta calamidade financeira anunciada pelo chefe do Executivo em março, o número de CCs deveria estar sendo enxugado. Contudo, o que se observa na Prefeitura de Novo Hamburgo é o crescimento do número de CCs e FGs nestes primeiros meses.
Numa das listas da Prefeitura, são cerca de 150 nomes. Sem falar nos CCs e FGs da Fundação de Saúde Pública, Comur, Comusa e Fenac. São centenas de CCs sendo empregados.
Chama a atenção que alguns CCs foram nomeados após o anúncio da calamidade financeira, o que reforça a avaliação que a calamidade é fake. Como dizer que não tem dinheiro para uma série de demandas na cidade, quando existe dinheiro para centenas de CCs, muitos indicados para agradar políticos aliados? Só vinculados ao Gabinete do Prefeito são mais de 20 nomes.
Cabe lembrar que, nessa lista de CCs e/ou FGs apenas do Executivo, estão muitos candidatos a vereador que não foram eleitos e acabaram empregados na Prefeitura. Entre eles, estão Rita de Oliveira (PP), Daniela Maciel da Silva (PP), Anderson Bertotti (PP), Fabiano Pilar (PP), Sandro Cassiano (PP)), Daniele Rechenmacher (PL), Eliseu Raimundo (MDB), Elcio Müller (MDB), Luis Carlos Schenlrte (MDB), Semilda Melher dos Santos, a Tita (PSDB), Luis Paulo Kayser (Novo) e Rafa Lucas (Podemos). O também candidato a vereador Gilvanio José de Abreu (PP) foi exonerado após ser preso em operação da Polícia Civil – após algumas semanas, ele foi solto.
DÍVIDAS REAIS
As dívidas deixadas pelo governo da ex-prefeita Fátima Daudt (MDB) são reais. Como ocorre em praticamente todos os municípios e governos, ficam dívidas para o ano seguinte. Todos os candidatos sabiam que teriam problemas a serem enfrentados, tanto que o tema foi debatido na campanha e era de conhecimento dos postulantes ao cargo.
No caso do prefeito Gustavo Finck (PP), o que se verifica é uma calamidade administrativa nestes primeiros meses.
– A transição de quase três meses foi negligenciada, com pouco planejamento. O prefeito descansou e viajou ao exterior por quase duas semanas. A falta de experiência como gestor está visível.
– O governo começou em 1º de janeiro faltando vários secretários municipais. A secretária da Fazenda só foi anunciada em fevereiro. Havia decisões a serem tomadas e faltavam secretários titulares.
– O governo tem uma divisão de forças, com o prefeito tendo de disputar espaço com a secretária de Gestão, Governança e Desburocratização, Andrea Schneider Pascoal, além de caciques de partidos políticos e empresários. O vice-prefeito, Gerson Haas, está distante das decisões – esqueceram de convidá-lo para a prestação de contas dos 100 dias.
– Enfraquecido politicamente, Finck cedeu ainda mais e abriu espaço para o vereador Ito Luciano (Podemos) se tornar aliado e indicar mais CCs. E, quanto mais enfraquecido, mais concessões e cargos o governo terá de negociar.
– Entidades socioassistenciais denunciam meses de atrasos nos pagamentos. Funcionários públicos não deverão ter reajuste em 2025. O rombo do Ipasem, que poderia estar reduzido se Gustavo Finck tivesse votado a favor de projeto quando era vereador, vai aumentando e sufocando as contas. O cenário vai se deteriorando – com exceção, naturalmente, das adesões de novos CCs.
























