Novo Hamburgo cresceu de forma desgovernada. E
desequilibrada. No domingo passado (19.02) tivemos a repetição cada vez mais
frequente de um cenário desolador: dezenas de ruas da cidade tomadas pela água
da chuva, carros boiando, lixeiras arrancadas, estacionamentos tomados por um
caldo fedorento, casas inundadas. A região central é uma das que mais vem
sofrendo. Nos últimos 20 anos o município perdeu dezenas de quilômetros
quadrados de área verde. No local veio cimento e concreto. A água não infiltra
mais na terra; corre direto para arroios, córregos e partes mais baixas da
cidade. Fotos e vídeos do cenário desolador podem ser conferidos na reportagem: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Com o caos do domingo, alguns leitores do Portal Martin
Behrend fizeram um questionamento já reproduzido em outra oportunidade: quando
toda aquela área verde do antigo Estádio Santa Rosa der lugar a prédios e
estacionamentos do empreendimento da MRV Engenharia, para onde vai correr a
água que hoje fica no terreno? A resposta é um tanto óbvia: para o Arroio Luiz
Rau que já transborda a cada chuva mais forte. O que está péssimo pode ficar
insuportável.
Em novembro do ano passado entrevistei representantes da
MRV. Foi publicada a seguinte manifestação na reportagem http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…:
“Os representantes da MRV estão tranquilos sobre o andamento
do projeto na Vila Rosa. “Estamos observando tudo que foi passado pela
Prefeitura. A questão dos alagamentos é uma preocupação da comunidade e nosso
empreendimento segue tudo que foi solicitado pelo município. Foi criada uma
bacia subterrânea, uma espécie de piscinão com ligação ao lençol freático, que
ajudará a reter boa parte da água da chuva. Também deixamos uma grande área
verde e usamos materiais semipermeáveis no piso”, detalhe Ruschel. “As medidas
que adotamos no empreendimento seguem os parâmetros da legislação”, completa.”
Esse piscinão, na opinião de um engenheiro consultado pela
reportagem do Portal Martin Behrend, não é suficiente para o impacto ambiental
do empreendimento. A tendência é que com a perda de mais uma grande área verde
no bairro Vila Rosa os alagamentos sejam cada vez mais frequentes, longos e
intensos. E a lógica é que muita água que antes ficava no antigo Santa Rosa vai
descer voando pro arroio.
Ainda lutando para impedir a obra da MRV e buscando
sensibilizar a Prefeitura a comprar o terreno, moradores do bairro Vila Rosa
terão reunião nesta quinta-feira no Ministério Público. Eles vão apresentar uma
série de documentos que apontariam inconsistências e irregularidades na avaliação
e liberação do empreendimento por parte da Prefeitura de Novo Hamburgo.
Seguindo uma agenda de mobilização, ontem os moradores se reuniram com o
vereador Issur Koch (PP), que deverá levar ao Poder Legislativo uma série de
considerações dos impactos do megaempreendimento para o futuro de Novo
Hamburgo.
























