Após um plebiscito
apertado, os britânicos decidiram por abandonar a União Europeia. Embora ainda não
se tenha clareza dos próximos passos, este divórcio histórico repercutiu
mundialmente e colocou em pauta um possível efeito dominó que ameaça a
longevidade do acordo entre os europeus. Acredito, entretanto, que esta decisão
vá ainda mais longe, e que esta abertura de precedente coloca em questionamento
não somente o tratado do velho mundo, mas sim, o futuro de blocos econômicos em
outros continentes.
Por mais que acordos
bilaterais tenham sua origem atrelada ao discurso de crescimento mútuo, é fato
que sempre existirá um lado com maior potencial de ganho. Economia é o estudo
da escassez, e prosperidade dificilmente se conquista igualitariamente. O
enriquecimento de uma economia necessita do enfraquecimento de outra para
acontecer. No Mercosul não é diferente, e o beneficiário não é o Brasil.
Levando em
consideração a magnitude da economia brasileira em relação aos seus
companheiros de tratado, e inevitável analisar que as vantagens não são financeiras.
Talvez, possam ser justificadas pela busca da uniformidade ideológica e
política entre os maiores integrantes do bloco, e, a entrada da Venezuela em
2012 endossou esta afirmação. Entretanto, nestes dois últimos anos, a isonomia
do grupo foi comprometida com a ascensão de Macri e o governo interino de Temer.
Resta agora a pergunta: qual a vantagem que o Mercosul traz ao país neste
momento?
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País |
PIB (USD/milhões) |
PIB p/ Capita (USD/ano) |
População (milhões) |
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Brasil |
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Argentina |
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Paraguai |
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7.136 |
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Uruguai |
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3.427 |
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Venezuela |
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*Dados FMI de Janeiro a Abril de 2016
Claro que sempre
existirão casos pontuais de setores que se beneficiarão da existência de
acordos bilaterais, entretanto, os pilares básicos do Mercosul acabam por
prejudicar nosso país em um cenário macroeconômico. Para uma exemplificação, vejamos o item 3.1.
do artigo primeiro do tratado de Assunção, o qual menciona a “eliminação das
barreiras tarifárias e não-tarifárias no comércio entre os países membros”. Na prática, isso isenta exportadores de
desembolsar o imposto de importação enquanto vendendo produtos no Brasil. Entretanto,
durante os primeiros cinco meses de 2016, exportamos aproximadamente U$D 7 bilhões
de dólares, enquanto os bens e serviços comprados de outros países membros chegaram
a U$D 4.3 bilhões (dados disponíveis no site do MDIC). Talvez estas quantidades
justificassem o acordo em valores absolutos, todavia, o PIB e mercado
consumidor são quatro vezes maiores que os dos demais integrantes, mostrando
uma disparidade grande de beneficio quando submetidas à proporcionalidade.
O cenário de crise
atual potencializa os malefícios do Mercosul para o Brasil. A recessão em que
nos encontramos chegou subitamente e a capacidade produtiva alavancada pela
ultima década de euforia encontra-se ociosa. A taxa de desemprego atinge níveis
históricos. Indústrias fecham todos os dias por não terem o que produzir. Sendo assim, por que facilitar a entrada de mercadorias
manufaturadas em países vizinhos em nossas fronteiras? O ambiente empresarial
brasileiro é extremamente custoso, e o que realmente estamos exportando neste
momento são empregos para países menos hostis. Se existisse um plebiscito hoje, eu votaria contra a permanência do
Brasil no Mercosul.
























