Iniciava a semana. Segunda-feira sempre foi o dia de reuniões e
orientações. As equipes ficam à espera de um direcionamento. É uma
mistura de ansiedade, apreensão e motivação.
A liderança chega e surpreende todos com uma pergunta inusitada: qual é o meu trabalho, na opinião de vocês?
Os olhares corriam rapidamente entre as pessoas. O silêncio tomou conta
do ambiente. Uns estavam concentrados. Outros não entenderam o que
estava acontecendo. Alguns não estavam prestando atenção.
O líder foi enfático: qual é o meu trabalho?
A equipe era composta de pessoas de várias gerações, com vivências
diferentes e um equilíbrio saudável entre homens e mulheres. Após a
ênfase, o mais experiente perguntou:
– Pode nos explicar qual é a razão desta pergunta?
E o líder reforçou: esta é a pergunta certa a uma pergunta incerta. Você quer saber qual a minha intenção com esta pergunta?
– Exatamente, respondeu o colaborador sênior.
– A minha intenção é provocar uma reflexão.
– Que tipo de reflexão, continuou.
– Aquela que precisa ser realizada.
Todos pensaram que o líder estava blefando ou que o seu final de semana
não tinha sido muito bom. O silêncio continuava. Os olhares eram mais
assustados. Depois de dois anos juntos, era a primeira vez com esta
abordagem. O líder sempre dava orientações e determinava
os caminhos.
A colaboradora mais jovem, em idade, disse:
– É uma pegadinha, não?
– De forma alguma, respondeu o líder.
– Já que ninguém tem coragem, eu vou dizer:
– Meu líder, diz logo o que deseja que todos façam e a reunião tem um andamento normal!
O líder aproveitou a oportunidade e tornou a perguntar:
– Quem está atendendo diretamente o cliente: sou eu ou vocês?
– É claro que somos nós. Qual a relação com a pergunta inicial?
– Uma relação direta. Use a sua inteligência.
Foi um elogio de estímulo e um aumento da curiosidade de todos. A
liderança estava calma, sem esboçar nenhuma reação intempestiva. Ele
exalava autoconfiança, o que deixou todos mais intrigados.
– Porque você não explica logo, falou novamente o colaborador mais antigo.
– Tudo bem, respondeu o líder. Vou responder com três palavras: estimular, facilitar e inspirar.
– Vou reformular a pergunta inicial: se meu trabalho é estimular,
facilitar e inspirar, qual a necessidade da minha determinação ao que
será realizado?
– Sem a sua orientação não sabemos o que fazer, reforçou o mais experiente.
– Exatamente. Por isso, peço desculpas.
– Como assim!?!?!?! Disse a mais jovem.
– Peço desculpas por não ajudar a terem mais iniciativa, autonomia e
proatividade. Acabei criando uma dependência desnecessária. Confio em
vocês, mas continuo agindo como um pai protetor com seus filhos. Não
somos parentes. Somos colegas.
– Minha responsabilidade é empoderar a todos. É dar autonomia. É seguir
lado a lado com cada um nas suas dificuldades e conquistas. Sei que
minha abordagem hoje está diferente do que costumo fazer. Mas cheguei à
conclusão de que não estou fazendo meu papel
adequadamente.
– Sei o quanto todos são dedicados e responsáveis. Quero aproveitar este
momento e deixar uma pergunta a todos, para encerrar a reunião.
– O que posso fazer para ajudar meu líder a me ajudar?
Um breve silêncio se fez. Ele sai da sala com um leve sorriso no rosto. Olhou novamente ao grupo e disse:
– Confio que cada um saberá o que precisa ser feito. Estou à disposição
para esclarecer qualquer dúvida ou ajudar a quem necessita. O caminho da
liberdade com responsabilidade é uma construção permanente. Contem
comigo!
Todos se entreolharam. O mais experiente afirmou:
– Acredito que eu tenha entendido a mensagem. Ele escolheu um caminho
que nos dá a possibilidade de fazermos nosso melhor. Já vou começar a
planejar minhas ações e metas.
– Pode me ajudar, solicitou a mais jovem.
Desde aquele dia, a colaboração se tornou uma prática comum entre todos.
E o melhor: o líder estava sempre à disposição para auxiliar neste
caminho. E alguns se sentiram totalmente perdidos neste novo contexto.
Será?
Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
Leitura do artigo com César Silva:
























