Descubra
logo! Certamente é diferente! Não há ser humano padrão na face da Terra e há
mais de sete bilhões de diferentes. Haja diversidade e entendimento!
A necessidade
de encaixar os filhos em padrões de conduta e ação como eles sendo seres
humanos futuros é tão nocivo quanto a varíola na idade média. Se perdeu? Não é
o único ou única! Confundimos propósito com formatação de vida e desejos!
No região do
Vale do Sinos, onde nasci, é muito comum os filhos de empresários serem sempre
empresários. Frases como “aproveita o caminho feito”, “não desperdice a
vaca leiteira” ou “você vai rodar o mundo e voltar para casa com as mesmas
lições sem sair daqui” eram comuns em épocas de indústria forte e pujança
econômica.
Atualmente,
a primeira tarefa, tem sido colocar o rebento em uma viagem internacional que
mostre o mundo e ensine o que aqui não pode ser aprendido.
Muitos vão
estudar em universidades famosas e de qualidade, trabalhando em bares,
restaurantes, hotéis para aprender o idioma e a cultura. Viajam o mundo e
voltam desconhecendo seu futuro local de trabalho ou nem voltam.
Observo esse
movimento de forma arraigada em muitos lugares no Brasil e no mundo, fruto da
globalização e das possibilidades infinitas deste globo em evolução.
Cultura intimista
Vivemos em
uma cultura de viagens externas e de pouca intimidade. O conhecimento acumulado
pelo mundo e nas universidades é mais importante do que o conhecimento de si
mesmo. Nós, ocidentais, temos uma cultura que aliena o ser de si, abrilhantando
as externalidades que passam.
Ensinar um
herdeiro a conhecer-se é mais importante do que demiti-lo em meio a uma crise
criada por esse vazio. Este ensinamento deve iniciar nos primeiros anos de vida
a fim de que, com 18 anos, ele possa pelo menos saber o que não quer para sua
vida.
Não há mais
tempo para experiências desnecessárias e viagens absurdas que podem ser
realizadas durante a vida em completude ao esforço em conquistá-la.
Muitos
construíram impérios mas não alicerçaram pessoas com “calibre” para os
administrar, se quiserem. Há de se ensinar como se “ganha o pão”!
Não há mais
tempo para crises existenciais e sim para uma nova forma de pensar: de dentro
para fora. Muitas empresas exponenciais de sucesso tiveram nessa premissa,
alicerçada no conhecimento de seus fundadores, a base à criação do novo, do
impensável. Steve Jobs, cito sempre, que o diga!
Paradigma central
A principal
pergunta a fazer a um herdeiro é: você deseja gerir o que herdou? Vejo diversas
iniciativas louváveis e consistentes através do IBGC e de outros órgãos com
foco na governança familiar e desenvolvimento de herdeiros, tratarem do tema
com muito profissionalismo.
Mas o
paradigma central, na minha opinião é: a cultura familiar alinhada a essa
necessidade. E isto vem desde a educação fundamental. A valorização deste
pressuposto garantirá que não hajam futuras distrações desnecessárias ou
desgastes impensáveis a um mundo hiper-rápido.
O desapego
ao futuro destino dos filhos é um primeiro sinal desse profissionalismo.
Proporcionar um ambiente favorável ao desenvolvimento pessoal e profissional,
sem amarras, é fundamental. Sem obrigações, sem presilhas, sem fronteiras. “ Se
tiver que ser, será!”
Diferente que se aprende
Diversidade
de pensamentos e respeito aos desiguais tem sida uma das características
fundamentais aos profissionais de hoje e do futuro. Trabalho em colaboração com
pessoas dispersas em várias partes do mundo são comuns.
A capacidade
de ouvir deve ser amplificada e, além dela, o profundo conhecimento dos
assuntos envolvidos a fim de que se agregue um aprendizado útil. O reforço das atitudes no lar devem ter esse
reflexo, a não ser que não sejamos parâmetro a democracia ou a colaboração. O
que podemos aprender, se ainda não sabemos, é uma postura madura!
Misturar
conceitos e visões em torno de um problema com vista a sua efetiva resolução e
replicação, produz e cria um caldo totalmente novo na sopa de letrinhas do
mercado.
As
diferenças aparecem quando as igualdades se conhecem! As identificações!
O teor de
pensamentos e pendores é parecido e a linha mestra do propósito é alinhada. O
foco é esse e não somente um espaço geográfico ou um tipo de cliente
específico. As possibilidades se exponencializam!
Cultue a
diferença como algo bom! Aprende com o contraponto! Escute a divergência!
Avalie com discernimento! Escolha! Não um lado! Nem em cima ou em baixo!
Mas avalie
as situações de forma holística estudando a si e ao ser humano, aplicando em
seu lar uma visão mais ampla do que o mundo é hoje.
Cuide para
não reforçar os padrões de conduta que você acredita serem bons para você, com
seus filhos, sob pena de envolvê-los no jogo do certo e do errado e do encaixe
dentro da caixa.
Ser diferente
hoje é uma característica que nos diferencia das máquinas e nos transforma em
seres únicos, com valores inestimáveis. Inicia com a atitude dos pais desde o
momento do nascimento.
Sejam eles
empresários ou não, funcionários ou não. Não importa! Mas permita que seus
filhos sejam gente! E gente é diferente por natureza! Aprenda com o impensável
e ensine o que é perene!
César
Silva é professor, escritor, consultor,
mentor – Head of Business @cesarsilvasimplesmente, Professor/Tutor Externo IERGS/Uniasselvi, Conselheiro da Fenac S.A.
Artigo publicado no portal www.martinbehrend.com.br . Disponível em www.cesarsilvasimplesmente.com.br e www.inspirandorumos.com.br.
#diferente#herdeiro#intismista#martinbehrend#cesarsilva#césarsilva#simplesmente#inspirandorumos
























