Dubai? Tailândia?
Vietnã? Nordeste Brasileiro?! Não, estamos
na Itália, na Riviera Adriática. Mais precisamente, em Margherita di Savóia, um
centro de Benessere, de Águas Termais e de Salinas, desde os tempos romanos. Em
linha reta, atravessando o mar, a mais ou menos 100 quilômetros da Croácia.
A Itália tem
uma legislação muito peculiar no que diz respeito à exploração das praias de
sua costa. As áreas à beira-mar, como no Brasil, pertencem ao governo (quer
dizer, ao povo italiano). O governo, porém, pode alugar para alguém que queira
construir infraestrutura de restaurante, alugando guarda-sóis, cadeiras para
banho de sol, banheiros, chuveiros, playground, música e muitos outros
quesitos. Esses locatários, por sua vez, passam a cobrar ingresso no LIDO – é
assim que se chamam estes espaços – e alugam as cadeiras, os guarda-sóis e
outros benefícios. O preço mínimo por
pessoa com um guarda-sol e uma cadeira, é de 7,00 a 10,00 euros. Ou seja, uma família de quatro pessoas, por
dez dias, gasta de 280,00 a 400,00 euros, (cerca de R$ 900,00 a R$ 1.400,00) só
para poder ir à praia.
Existem
também espaços vazios sem LIDOS, que são deixados para as pessoas que não podem
ou não querem ter essa despesa. Nesses locais não existe nenhuma preocupação da
Prefeitura em manter o mínimo de limpeza. São verdadeiros depósitos de lixo e,
portanto, não se pode utilizá-los, a menos que a pessoa não se importe com
isso.
Os
proprietários dos LIDOS usam muita imaginação e criatividade para atrair
clientes, já que o mar e a areia são sempre os mesmos para todos. Alguns têm
até discoteca na areia de dia, e outros, à noite. A música só é permitida das
10 às 13 horas e das 16 às 18 horas. De noite, após às 22 horas, é livre, já
que não é permitido construir moradias a menos de 800 metros da praia. Os
cardápios dos restaurantes também não variam muito: pizzas e frutos frescos do
mar – uma delícia!
A limpeza
dos locais é surpreendente: tem até máquina que revolve a areia e retira
eventuais lixos pequenos, como tocos de cigarros, e a praia fica lisa, com o
visual de varrida. As areias são escuras, quase pretas, como as monazíticas, e
aquecem muito, servindo para tratamento de artrose. Mas, por outro lado, é
impossível, andar descalço. O mar é uma lagoa turquesa pela manhã e com ondas maravilhosas
à tarde. É como um mar de bandeira branca, com águas com temperatura de mais ou
menos 25 graus – maravilha!!
O calcadão à
beira-mar, no centro da cidade, está dividido ao meio por coqueiros, rasos e
corposos, como numa praia do nordeste brasileiro. E assim, os que vão e os que vêm, tem uma
pista definida. De noite, a partir das 22 horas, enche o calçadão, com pessoas
de todas as idades, do nenê ao vovô e vovó.
Todos super bem arrumados, se apresentam à sociedade, a vovó vai se deliciar
com um gelato, e o vovô com um bichieri di Vino!
O que muda
mesmo, e o que deixa o local tão peculiar, são os guarda-sóis tão diversos, tão
belos, que criam diversas atmosferas diferentes, na mesma praia, no mesmo mar.
Tem os de
palha, às vezes lembrando a Tailândia, o Vietnã, às vezes lembrando cabanas de
índios, às vezes lembrando praias da Polinésia. Tem as de tecido, lembrando
tendas árabes, outras lembrando resorts de luxo. Tem as tradicionais de lona
listradas, nas mais diversas cores e tamanhos. Tem até verde-amarela – e meu
coração salta apressado: será um brasileiro? Não – e não tem caipirinha… É
uma exposição de criatividade! Cada LIDO usa um tipo de guarda-sol, e são todos
fixos, de uma forma simétrica, e a estaca fica ali o ano todo.
Os
italianos, como os argentinos, vão para praia pela manhã, levam o almoço – ou
almoçam no restaurante local – fazem a siesta nas cadeiras de praia, voltam ao
banho de mar e, no final da tarde, cansados, crianças chorando, mães berrando,
ao melhor estilo italiano das mammas, voltam para casa num enorme
congestionamento!
Qualquer
semelhança fica por conta da latinidade…
























