O dicionário Houaiss cita, entre outros significados, o
VÍCIO como uma dependência que leva ao consumo irresistível, etc.
Pois então somos quase todos viciados; alguma conduta nossa
tem uma espécie de dependência. Podem chamar de rotina ou mania, mas são quase
vícios. E tem para todos os gostos, especialmente no mundo artístico.
Exemplos? O viciado em bebida começa social, passa por todas
fases intermediárias e desemboca em cirrose terminal. Viciado em fumo começa
com cigarrinho juvenil e termina com câncer no pulmão. Viciado no jogo começa
com uma canastrinha familiar, passa pelo cassino e termina sem patrimônio. O consumidor
de drogas começa com cigarrinho de maconha, cocaína, crack e termina um
frangalho humano. O workaholic começa
aplicado no trabalho, recebe todos os elogios e termina com stress,
esgotamento, depressão.
E aí chegamos nas artes, lembrando que faz mais de 35 anos da morte de Elis Regina, vitimada por overdose de cocaína. Mas onde a Elis
precisava de cocaína paras interpretar as maravilhas do seu repertório?
Compositores, intérpretes contemporâneos em geral, será que todos necessitam de
um estímulo externo ao seu corpo para criar, interpretar, não podem ter hábitos
normais?
E é então que vale a pergunta: será que Beethoven – entre
todos os outros, é claro – estava drogado quando criou as supremas maravilhas
musicais que são suas nove sinfonias, só para citar estas? E Vivaldi?
Tchaikovski? Bach, Chopin, Händel, Wagner?
Jamais li ou tomei
conhecimento que os grandes músicos dos séculos XVII e XVIII se drogassem para
construir com aquelas sete notas musicais tais arranjos que são estas maravilhosas, universais e eternas obras
primas universais.
Fique claro, pois, que esta coisa de se drogar é toda uma
questão de personalidade, de maior ou
menor caráter, maior ou menor dose de educação, carinho e atenção para com os
filhos. Tanto quando crianças mas muito mais nos anos de dúvidas da juventude.

























