As praças e a beira-mar são dois dos espaços mais democráticos do mundo. Tem do pobre ao milionário, do analfabeto ao pós-doutor, do ateu ao religioso fanático.
Essa convivência na imensa maioria das vezes consegue ser pacífica. Seja pelo clima de tranquilidade, o vaivém das ondas, o ambiente natural e por estarem todos em uma condição de relax.
Só que, em alguns casos, não é bem assim. Basta usar os sites de procura com as palavras “regras de convivência à beira-mar” para confirmar que várias reportagens já foram produzidas sobre o tema.
As palavras que devem prevalecer são: RESPEITO, BOM SENSO E LIBERDADE – no caso, saber que a liberdade de um não pode invadir a liberdade de outro.
Nesta semana, familiares presenciaram um tumulto a poucos metros do local em que estavam nas areias de Capão da Canoa. Foi um caso clássico em que essas três palavras e seus significados foram esquecidos.
RELATO DO CASO
Era perto das 13 horas quando uma família se instalou à beira-mar, na primeira fila. Do lado deles, um casal. Logo atrás, outros grupos familiares.
Dessa família recém chegada, dois integrantes começaram a arremessar uma bola de futebol americano. Sem muitas habilidades, nem sempre o arremesso tinha o destino esperado. Muitas vezes, ia em outra direção, quicava antes de chegar ao destino, parava nos pés de algum banhista.
E teve os arremessos que atingiram o casal. Uma vez. Duas vezes. Três vezes a bola bateu ora no homem, ora na mulher.
Incomodado com a presença indesejada da bola, o homem pediu pra cuidarem, pois já tinham sido atingidos três vezes pela bola. Os rapazes que jogavam ouviram o recado. E seguiram no mesmo lugar, com os mesmos arremessos.
Não deu outra. Num arremesso meio torto, com ajuda do vento, a bola atingiu o casal. Dessa vez, a reação do homem foi pegar a bola e dar uma “bica”, uma isolada em direção ao mar.
Alerta de barraco!
Com o chute do homem, os familiares – homens, mulheres e os rapazes que jogavam – foram pra cima do casal tirar satisfações. Após um rápido bate-boca, duas mulheres – uma mais velha – tentaram dar uns tapas no homem, que ficou sem reação.
Em seguida, com o gesto ostensivo de um dos homens da família, o homem atingido pela bola reagiu e acertou um tabefe no rosto. O clima, que já era quente, esquentou.
Nisso, chegou a turma do deixa disso e o barraco se acalmou.
Só que o homem da família atingido pelo tabefe ligou para o 190 da Brigada Militar. Após um tempo, a viatura 10111 estacionou junto às dunas da Avenida Moema. Dois policiais foram até a beira-mar. Lá, encontraram os personagens do barraco. Uma das testemunhas, que apareceu na turma do deixa disso, foi lá levar seu depoimento.
Após conversas e discussões, os dois homens foram até a viatura. Os policiais posicionaram a viatura sob a sombra de árvores e anotaram os relatos. Fizeram Boletim de Ocorrência. Ficaram cerca de uma hora atendendo a ocorrência – quando poderiam estar patrulhando as ruas, organizando o trânsito, etc.
Nesse meio tempo, os homens envolvidos conversavam com os integrantes da Brigada Militar, cada um contando a sua versão dos fatos.
Feito o BO, os dois homens voltaram para a beira-mar.
E a bola de futebol americano? Naquela tarde, ao menos, ela foi guardada.
PS: Com a chegada do final de semana, só aumentaram casos de famílias com som alto, churrasqueiras cuspindo fumaça à beira-mar, lixo sendo abandonado nas areais e outros hábitos desrespeitosos com quem busca a tranquilidade da beira da praia.
Com essa falta de bom senso, não duvido se a Brigada Militar for reiteradamente acionada. Tem muita gente que não entende que, se quer curtir som alto, leva fone de ouvido ou fica em casa trancado no quarto com volume no máximo.
























