Em ritmo de olimpíadas
e com o país mobilizado na torcida por modalidades populares somente a cada
quadriênio, gostaria de compartilhar com os amigos que também já fui um
esportista em meu passado. Hesito a me chamar de ex-atleta, mas posso
apresentar algumas credenciais que comprovam a minha participação no universo
das lesões e tendinites. Entre os anos de 2006 e 2010 participei da primeira
divisão da NCAA (National Collegiate Athletes Association) nos Estados Unidos, representando
minha universidade em competições tenísticas tanto na conferência Big East
quanto na Big South. Foi uma experiência fantástica, que sem dúvida alguma
agregou qualidades imensuráveis no meu desenvolvimento como pessoa,
principalmente no que tange a incorporação de um entendimento menos romântico
em relação à competitividade dentro e fora do esporte (a qual tento estender
para a vida).
Existe uma diferença
bastante acentuada na mentalidade competitiva entre a nossa cultura e
americana. Ciente que a generalização é sempre um erro, é bom ressaltar que
minhas argumentações são baseadas em experiências próprias no meio esportivo, e
até mesmo amplio esta análise para meu dia a dia fora das quadras. Enquanto os
norte-americanos enxergam o esporte como uma guerra sem vítimas, onde a derrota
não é uma opção, nós, brasileiros, temos uma visão muito passional da
competição. Uma mentalidade onde o importante é competir e a vitória é lucro e
não o objetivo.
Somos colecionadores
de medalhas de “honra ao mérito”, e não de posições no pódio. Neste presente
momento (dia 11 de agosto) figuramos na 17ª colocação no quadro de medalhas olímpicas
em nosso jardim, atrás da Tailândia e Cazaquistão. Enquanto isso circulam notícias
enaltecendo determinadas modalidades por fazerem história e se classificarem
pela primeira vez para a competição. Isso é muito pouco para o quinto pais mais
populoso do mundo, o nono maior PIB e com a quinta maior extensão territorial.
Entretanto, preciso
admitir que o conceito de vitória é relativo. A experiência de praticar um
esporte fora do país, mesmo que em competições amadoras, me mostrou que existe uma
razão por detrás desta divergência de mentalidade entre os dois hemisférios. Enquanto
no Tio Sam existe uma lista infindável de esportes com o apoio popular e
governamental (futebol americano, basquete, tênis, beisebol, etc), o Brasil concentra
todos os seus esforços única e exclusivamente no futebol. Sendo assim, todas as
outras modalidades acabam como periféricas, e a “síndrome do vira-lata”
inevitavelmente se propaga entre os atletas dos esportes minoritários. Isso é
bastante perceptível nas notícias sobre a Vila Olímpica: enquanto alguns
atletas condenam sua estrutura, outros da mesma modalidade a enxergam como um
luxo contrastante de sua realidade diária. Enquanto isso, Neymar e companhia
desprezam a competição. O simples fato de ser um atleta fora do futebol no
Brasil já é uma vitória.
É verdade que os desportistas
brasileiros podem e devem alcançar resultados mais expressivos, e que a
“síndrome de vira-lata” deve ser superada e substituída por uma mentalidade
vencedora. A moral é muito importante em qualquer competição. Entretanto, o
suporte para os diversos esportes além do futebol é fundamental neste processo,
e não deve ser apenas sazonal, voltando em intervalos de quatro anos. Precisa
ser constante. Com o interesse maior do público, maiores serão os investimentos,
mesmo que privados, e consequentemente melhores serão as condições de
treinamento e percepção própria dos atletas em comparação aos seus rivais
internacionais.
Talvez esta seja uma
visão romântica do esporte como um todo, mas vale a pena salientar que as
universidades americanas não apoiam atletas por caridade, mas, sim, porque um
programa esportivo forte atrai alunos. E estes alunos pagam os estudos. Ademais,
o esporte traz outros benefícios fora dos campos e quadras. Um exemplo tangível
é um produto chamado Gatorade, criado pela University of Florida para seus
atletas, os intitulados Gators. Talvez você conheça a bebida. Enfim, a
mentalidade dos desportistas brasileiros em geral deve sim ser alterada, mas
devemos entender que ela, em última estancia, é um reflexo de como o grande público
os enxerga.
























