“Qual o nome do prefeito de Novo Hamburgo?” Quase ninguém na turma respondeu. “A Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo tem 14 ou 21 vereadores?” A maior parte da classe
disparou: “21”. Essas constatações fizeram parte do projeto “Alunos em Ação: é preciso ser ator e não espectador”, desenvolvido pelo professor de História Ricardo Alexandre de Moraes, no 9º Ano do colégio estadual Dr. Wolfram Metlzer.
Na tarde de ontem, por requerimento proposto por Roger Corrêa (PCdoB),
ele esteve na Câmara de Vereadores fazendo uma avaliação do trabalho realizado, que englobou entrevistas individuais com os parlamentares encaminhadas pelos próprios estudantes. Moraes esteve acompanhado das alunas Nykoly Reis Lourenço e Maksine Baldin e explicou que a ideia surgiu devido à falta de segurança nas proximidades da escola – localizada a duas quadras do Palácio 5 de Abril. Segundo ele, os alunos questionavam muito o papel do poder público, em especial o dos legisladores. Percebeu, então, que como cidadãos eles deveriam conhecer aqueles que os representam.
Em seu depoimento, Moraes se emocionou e chorou. Lembrou da importância do professor na construção de uma sociedade melhor, mais justa e consciente dos seus direitos e deveres. Ele destacou a responsabilidade que o educador assume ao comandar um grupo de estudantes e se mostrou realizado com o resultado. “Os alunos puderam entender o funcionamento do Parlamento e compreender o alcance do trabalho dos vereadores”, frisou. Salientou,
ainda, que o objetivo do projeto não foi proporcionar uma atuação partidária, mas sim incentivar uma conduta cidadã, o respeito às diferenças, a importância da participação de todos e de não se fazer pré-julgamentos.
A fala de Moraes emocionou alguns vereadores. Contudo, o momento que mais mexeu com o público foi quando o professor, espontaneamente e de coração aberto, afirmou que o trabalho foi tão bem aceito, que muitos pais acabaram se engajando e assistindo às sessões pela TV Câmara, quando o canal estava disponível à população. A fala sincera e honesta foi um soco no estômago do presidente Vilmar Heming (PR), que do alto do seu autoritarismo, arrogância e vontade de esconder o trabalho e os conchavos de alguns vereadores, não renovou o contrato da TV Câmara.
Vilmar Heming, que estava de costas para o professor olhando a apresentação de Power Point, congelou e não piscou.
Mesmo envolto por sua aura arrogante, acusou o golpe.
A fala do professor não foi agressiva nem tinha caráter de dar um recado, já que Moraes simplesmente falou a verdade: o fim da TV Câmara é um dos maiores retrocessos da história do Legislativo hamburguense. O presidente censurou a população – milhares de pessoas que acompanhavam a programação pela internet e NET.
O projeto do professor Ricardo de Moraes tem tudo para prosperar e ser praticado por outros educandários. É uma semente que foi plantada e que precisa ser adubada, regada e cuidada com carinho para render frutos no futuro. O exemplo está dado. Parabéns, mestre. E aplausos também aos alunos.
PS: Em relação às perguntas da abertura da reportagem, o prefeito de Novo Hamburgo se chama Luis Lauermann (PT) e a Câmara conta com 14 vereadores.
























