Simone Zucolotto manda e desmanda na saúde de Novo Hamburgo. Ela é a diretora presidente da Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH) desde setembro de 2010. Comanda uma das áreas mais delicadas e exigentes da administração: o Hospital Municipal. A fundação está vinculada à Secretaria Municipal da Saúde, mas tem uma força descomunal. Parece ser uma caixa preta a ser desvendada.
Formada pela Unisinos, Simone Zucolotto tem pós-graduação em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pela Ufrgs. Veio para Novo Hamburgo após atuar no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, de Torres, onde exercia a função de Gerente Administrativa e Financeira. Hoje, na FSNH, tem autonomia, inclusive, para passar por cima de leis municipais. Acompanhem três casos recentes envolvendo a dama de ferro:
1 – Sua forma de gestão não agradou o então secretário da Saúde, Luís Carlos Bolzan – um profissional de excelência técnica, que veio do governo federal para atuar em Novo Hamburgo. Simone bateu pé em determinados contratos e atitudes. Queria a assinatura e a concordância de Bolzan ou de algum diretor. Bolzan não assinava embaixo das atitudes. A corda esticou. Bolzan pediu demissão. Simone ficou. E, nas semanas seguintes, viu sua mãe, dra. Suzana Ambros Pereira, ser indicada secretária municipal da Saúde.
2 – Na quinta-feira da semana passada, a Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo realizou Audiência Pública sobre a saúde. Plenário lotado. Funcionários da FSNH protestando. Vereadores da oposição cobrando explicações. Clima tenso. Muita indefinição. Quem não apareceu para prestar contas à comunidade? Simone Zucolotto e Suzana Ambros Pereira. Ignoraram os hamburguenses e não apareceram para responder ao bombardeio de cobranças e dúvidas.
3 – Ontem, a dama de ferro, por telefone, ordenou a expulsão da vereadora Patrícia Beck (PTB) do Hospital Municipal de Novo Hamburgo. A vereadora foi fazer uma visita a pacientes na parte da noite. Chegou ao hospital, houve uma tentativa de barrar sua entrada, mas ela foi adiante. Enquanto visitava pacientes, dois servidores comunicaram que Patrícia precisava se retirar do hospital. Ordens da diretora. A vereador foi escoltada – como uma criminosa – até a porta da casa de saúde. E foi registrar Boletim de Ocorrência (BO) na Central de Polícia. Detalhe: na Lei Orgânica do município de Novo Hamburgo tem um artigo que “garante livre acesso dos vereadores a órgãos da administração direta e indireta do município, mesmo sem aviso prévio.”
Entrei em contato com a assessoria de imprensa da FSNH e da Prefeitura de Novo Hamburgo fazendo dois questionamentos e abrindo espaço para Simone se manifestar: Os vereadores estão proibidos de visitar e fiscalizar o Hospital Municipal? Por que uma lei municipal foi desrespeitada pela direção da FSNH?
Recebi o seguinte esclarecimento assinado pela direção técnica do Hospital Municipal de Novo Hamburgo:
“Todas as instituições hospitalares estabelecem normas e rotinas de acesso de pessoas externas, visando à privacidade, o repouso necessário para a recuperação dos pacientes, o sigilo do diagnóstico, a realização das rotinas e procedimentos técnicos e as medidas preventivas de controle de infecção hospitalar.
O procedimento adotado com a representante da Câmara de Vereadores na noite de ontem é padrão e valido para todos os cidadãos, respaldado por protocolos de ambientes hospitalares. Salientamos ainda, que a instituição está à disposição dos pacientes, familiares e inclusive autoridades para o acolhimento, esclarecimento e/ou sugestões no horário diurno, e, em situações de intercorrências, durante as 24 horas, através da gerencia assistencial e plantão administrativo.”
Ela tem força para demitir. E contratar. Ela expulsa. Ela não aparece. Ela é Simone Zucolotto, a dama de ferro da saúde de Novo Hamburgo. Pena que ela “só” vacila na hora de cuidar melhor da saúde do município, que está rodeada de problemas.
























