A sexta-feira, 11 de novembro de 2016, foi marcada por protestos em diversas cidades brasileiras. Além do repetido “Fora Temer”,
milhares de pessoas foram se manifestar de forma contrária à Proposta de Emenda
à Constituição (PEC) que estabelece um teto dos gastos públicos para os
próximos 20 anos. Na maior parte dos casos, os manifestantes invadiram
instituições públicas, bloquearam ruas, avenidas e estradas, fizeram pichações
e muita sujeira, representando milhões de reais em prejuízos à população.
De tudo que se viu e ouviu, eu destaco e aplaudo dois
comportamentos que considero referenciais para a sociedade: o protesto dos
professores municipais de Novo Hamburgo e a atuação da Brigada Militar. Embora sem
qualquer relação direta, esses dois exemplos citados carregam em comum um gesto
de respeito e de garantia de liberdade a quem nada tem a ver com as
manifestações.
Em relação aos professores municipais de Novo Hamburgo e
outros sindicatos que se somaram ao grupo, foi realizado um protesto, nesta sexta-feira,
na Praça do Imigrante. O dia de paralisação foi fruto de reportagem do Portal
Martin Behrend anunciando a mobilização: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…. Embaladas por um carro de som, foram cerca de 300 pessoas que se
reuniram na praça para protestar, fazer bandeiraço, levar cartazes de repúdio,
gritar palavras de ordem e externar sua indignação com o governo federal.
O detalhe é que para isso não precisaram tocar fogo em
pneus, não invadiram órgãos públicos, não sentaram na Avenida Pedro Adams Filho,
não ergueram barricadas no Centro, não intimidaram outras pessoas; foi um
movimento forte, organizado, mas que soube respeitar a vontade e,
principalmente, a liberdade de outros tantos trabalhadores que precisavam cumprir
suas tarefas, levar filho no médico, pagar contas, realizar entregas, abastecer
comércios, entregar encomendas. A liberdade de manifestação respeitou a
liberdade de quem não queria se manifestar.
Diferentemente de Novo Hamburgo, a capital dos gaúchos teve
uma sexta-feira marcada pela perturbação e tumulto de manifestantes. Fecharam
ruas, trancaram avenidas, ocuparam de assalto espaços públicos, sujaram e
picharam a capital, incendiaram contêineres, impediram outros trabalhadores de cumprir suas jornadas. No
intuito de fazer barulho, ignoraram a liberdade de outros cidadãos de trabalhar
e garantir o sustento de suas famílias. De posse de modernos e caros aparelhos
de telefone celular, ficaram a postos para filmar tudo e criar uma sensação de “coitadismo”.
Eis que entrou em cena a Brigada Militar. Para garantir a
ordem. Para permitir que outros milhares de trabalhadores fossem respeitados.
Para assegurar o direito de ir e vir. Para proteger o espaço público. Para
estabelecer uma situação justa para quem não concorda com os protestos. Para
mostrar aos trabalhadores que não vivemos na anarquia desejada por alguns. Para
mulheres e homens que precisavam circular pela capital poder cumprir suas missões.
Se houve algum excesso da Brigada, que seja apurado. A regra, contudo, é
que as borrachadas dos cassetetes e as bombas de efeito moral foram usadas em
sinal de respeito. Respeito ao trabalhador indefeso que nada tinha a ver com o tumulto dos protestos.
Em Novo Hamburgo, um protesto na praça dos professores
municipais. Em Porto Alegre, a Brigada Militar agindo para respeitar a
liberdade de milhares de pessoas. Dois exemplos que servem como referência para
quem acredita em alguma coisa nesse país.

























