Em outubro deste ano, os brasileiros vão às urnas. Vão eleger presidente (vice-presidente), governador (vice-governador), dois senadores, deputado federal e deputado estadual.
O Congresso Nacional brasileiro é um dos parlamentos mais caros do planeta. O país também está nas primeiras posições no número de assessores pessoais por congressista. Nos Estados Unidos, cada deputado pode contar com até 18 auxiliares. No Chile, com 12, e na França, com 8. Já no Brasil esse número chega a 25 assessores. O Senado brasileiro permite a contratação de 55 funcionários.
São mais de 13 milhões de desempregados. Faltam recursos para estradas, escolas, hospitais. Empresas fecham as portas por não suportar mais tributos. Contudo, para pagar milhares de CCs, nunca falta dinheiro. O recurso que deveria ir para investimento vai para o bolso de CCs.]
Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a situação não é diferente. Cada um dos 55 deputados pode ter de 9 até 17 CCs. Os valores com CCs podem chegar até R$ 74.592,48 por mês. Sem falar o salário de deputado estadual, que é de R$ 25.322,25.
Será que os deputados gaúchos estão preocupados com a essa realidade? Será que os seus candidatos vão gastar menos com CCs? Será que essa gastança com CCs não vai ter fim, os deputados não ficam envergonhados?
O Portal Martin Behrend está trazendo alguns números de políticos gaúchos, em especial com alguma vinculação com o Vale do Sinos.
O destaque de hoje é o deputado estadual Lucas Redecker (PSDB). Foi um dos deputados estaduais mais votados na última eleição, com mais de 20 mil votos em Novo Hamburgo. Mas optou por assumir como secretário no governo Sartori, abrindo vaga para suplente de outra região do Estado. Foi acusado de se omitir na votação do aumento de impostos, no Tarifaço do Sartori. No final da legislatura passada, votou para aumento dos salários dos deputados, saltando de R$ 20 mil para R$ 25 mil.
Está envolvido na política há alguns anos. Um dos maiores problemas do Brasil é o custo da máquina pública, com milhares de indicações políticas para cargos públicos. Pretende trabalhar para reduzir o número de CCs, que além de caros muitas vezes não são competentes?
É necessário reduzir o tamanho da máquina pública como um todo, pois, sem dúvida nenhuma, a conta não fecha. O que precisamos ter claro é que todos os funcionários que não são competentes acabam se tornando caros para a sociedade, sendo eles cargos de confiança ou concursados. Necessitamos é de pessoas qualificadas nas funções que ocupam, tanto funcionários de carreira quanto cargos de confiança, porque todos tem responsabilidades a cumprir nas suas funções. Precisamos também ter um controle maior dos servidores no exercício de suas funções. De minha parte, procuro dar o exemplo. Levantamento feito pelo jornal Zero Hora e publicado no dia 13 de fevereiro deste ano, demonstra que sou o parlamentar mais presente nas atividades da Assembleia Legislativa, a exemplo do mandato passado, onde fui considerado o mais assíduo nas atividades ao longo de toda a legislatura. Indo ao encontro da transparência, também apresentei projeto de lei no ano passado que torna obrigatório o ponto eletrônico para todos os servidores do Executivo, tanto para cargos de confiança como funcionários de carreira. É dever dos órgãos públicos divulgar e da sociedade saber onde são gastos os recursos públicos.
– O deputado defende a redução de CCs em todos os Poderes para aliviar o custo da máquina pública? Se eleito, ocupará as 25 vagas de CCs na Câmara dos Deputados?
Eu não concorro pensando em quantos cargos terei na Câmara dos Deputados. Caso eu seja eleito deputado federal, vou ter o necessário para desempenhar a função e dar resultado para o trabalho que realizo. No meu gabinete parlamentar, por exemplo, eu não ocupo todos os cargos de confiança disponíveis. A Assembleia Legislativa também autoriza ter seis assessores trabalhando fixo no interior do Estado, mas eu optei por manter a minha equipe trabalhando em Porto Alegre, pois acredito que essas atividades podem ser melhor desempenhadas e controladas no gabinete.
– Um empresário, que gera empregos e garante sustento de dezenas, centenas, milhares de famílias, muitas vezes tem uma secretária – no máximo. Já cada deputado federal pode ter até 25 CCs. O senhor acha justo o setor produtivo pagar essa conta absurda de Ccs?
Acredito que o setor público precisa mostrar resultados para a sociedade, o que geralmente não acontece. Dentro de um gabinete parlamentar nós temos diferentes funções: pessoas que trabalham na área administrativa, na área legislativa, entre outros. Creio que deveria haver uma adequação de acordo com o perfil de trabalho de cada deputado, o que também depende da responsabilidade de cada parlamentar. Eu espero que as pessoas estejam acompanhando o desempenho dos parlamentares que elegeram. Pesquisem sobre o desempenho do candidato, inclusive eu, se é ficha limpa, se tem um histórico de trabalho e resultados para a sociedade. Acredito que esse é um bom indicador para saber se o candidato é digno ou não de receber votos novamente.
– O deputado, se eleito, vai cumprir seu mandato até o final para o cargo que foi eleito? Ou o eleitor deve saber que o senhor poderá sair para disputar outro cargo, fazendo com o que o voto do eleitor seja desperdiçado, como foi no atual mandato, que trocou de cargo, deixando seus eleitores sem representatividade no Parlamento? Se eleito, será deputado mesmo?
Eu não vou concorrer nas próximas eleições, caso seja eleito deputado federal, assim como eu fiz nos meus dois mandatos de deputado estadual. No início deste mandato assumi, durante dois anos, como secretário de Estado de Minas e Energia, na condição de organizar uma secretaria que estava sendo recriada pelo governo do Estado e para que desse a minha contribuição nesse setor estratégico e importante. Foi nesse período que conseguimos reduzir o ICMS das placas para energia solar, o que tornou o RS um dos estados onde as pessoas mais estão investindo em geração de energia para consumo próprio, seja para uso residencial, comercial ou industrial. Outra contribuição importante foi a elaboração do Plano Energético, que busca garantir um abastecimento de energia com qualidade e continuado para os gaúchos, o que contribuiu muito para a redução das quedas de luz em todo o RS. Isso também deixa claro que, enquanto fui secretário, sempre trabalhei pelo Estado. Depois de estruturada a secretaria, retomei meu mandato de deputado estadual e continuo cumprindo com a minha obrigação, que é representar não só a minha cidade natal como outras regiões do Estado.

























