No dia 13 de fevereiro de 2023, o Portal Martin Behrend publicou a reportagem: “Ex-prefeito Tarcisio Zimmermann anuncia desfiliação do PT”.
Foi um momento impactante na trajetória de quem foi prefeito de Novo Hamburgo, deputado federal, deputado estadual, secretário estadual, entre outros cargos no PT e em governos.
Naquele comunicado, ele destacou: “Com este rápido comunicado, peço seja formalizada minha desfiliação do Partido dos Trabalhadores, que ajudei a criar e a quem permaneci filiado disciplinada e dedicadamente desde 1980. Minha decisão tem por motivação o abandono de princípios e valores por parte do partido, que foram amplamente abordados no documento em que renunciei à candidatura a Deputado Federal em 2022.”
A matéria completa pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
NOVO ANÚNCIO
Agora, em 5 de junho de 2025, Tarcisio Zimmermann divulga um novo comunicado. Desta vez, se desfiliando do PDT e encerrando sua vida política.
Confira a manifestação na íntegra:
Caro amigo e presidente Romildo Bolzan
Caros membros da Direção do Partido Democrático Trabalhista
Estimadas filiadas e filiados
Prezadas e prezados,
Por meio desta,
comunico meu afastamento definitivo de atividades político-partidárias,
o que inclui minha desfiliação do Partido Democrático Trabalhista (PDT)
e a renúncia à presidência da Comissão Provisória no município de Novo
Hamburgo.
Retomo, assim, um
caminho que já havia iniciado em 2022 e que só foi interrompido pelo honroso
convite feito pelo partido para que eu o representasse nas eleições municipais
de 2024. Aceitei aquela missão por me julgar em condições de oferecer ao povo
da minha cidade, que me honrou com muito apoio ao longo da minha vida pública,
uma proposta de governo fundada no diálogo, honradez, ética, experiência,
qualidade da gestão tudo voltado para a superação dos graves problemas da
cidade.
Portanto, antes de mais
nada, quero dizer da minha gratidão à direção e à militância do partido pela
acolhida e pelo apoio no esforço que empreendemos na eleição municipal de 2024
bem como pelos estímulos a eventual candidatura nas próximas eleições.
Essa é, a rigor, a
segunda grande ruptura em minha trajetória de vida. A primeira foi em 1985,
quando renunciei a uma situação muito vantajosa e promissora na área da
tecnologia da informação em Porto Alegre, para me dedicar integralmente ao
esforço de educação política e organização do povo trabalhador. Primeiro na
região das Missões, posteriormente no Vale do Sapateiro. Digo, com alegria, que
foi uma decisão feliz. Dediquei o melhor de mim em todos os momentos, tive
experiências maravilhosas e pude contribuir para tornar mais digna a vida de
centenas e centenas de milhares de pessoas. Sinto amor pelo que contribui,
sinto que tudo valeu muito a pena. E digo: faria tudo outra vez!
A decisão, exatos 40
anos depois, pelo afastamento definitivo de atividades partidárias resulta de
longas reflexões sintetizadas em duas questões fundamentais: uma que diz
respeito à realidade do quadro partidário do país; e outra, sobre a minha
capacidade de dialogar com o povo e representar seus anseios.
No que diz respeito ao
quadro partidário do país, entendo que vivemos uma situação de degeneração
profunda e irremediável, que tem maiores consequências para os partidos que afirmavam
ser sua missão a mudança profunda e estrutural da realidade social, econômica e
ambiental catastrófica do país. A “pá de cal” para uma situação que já se
mostrava dramática, dada a falta de fidelidade aos princípios e programas,
foram as malfadadas emendas parlamentares, que alçaram os detentores de
mandatos federais à condição de verdadeiros “vice-reis”, cuja nova obsessão
parece ser a de “fidelizar” politicamente qualquer liderança a partir dos R$ 50
milhões em emendas impositivas que podem distribuir a seu bel prazer a cada ano.
Não há estrutura partidária, não há princípio, não há programa, não há
renovação, não há coerência, não há projeto, que resista a tantos milhões
operados sem qualquer controle social efetivo. E, aí, todas as estratégias
partidárias se resumem a ampliar mandatos e fazer alianças que ampliem cargos e
possibilidades eleitorais. Nesse cenário, que sentido tem uma eventual atuação
dedicada, generosa e coerente com princípios e programa partidário de alguns
militantes em um município? Nem é necessário responder…
A segunda questão penso
ser ainda mais complexa. De alguma forma, a partir do resultado das eleições de
2024, em que mais de 50% da população de Novo Hamburgo optou pelo candidato
mais despreparado, mais oportunista, das promessas mais estapafúrdias, de menor
estatura ética e moral, é necessário concluir que: “ou o povo não mais nos
entende; ou nós não mais entendemos o povo”. E não se trata de simples
presença nas redes sociais. Trata-se, sim, dos valores, das expectativas e dos
anseios que mobilizam a maioria da população.
Essa, infelizmente, não
é uma realidade apenas local. Vemos fenômenos semelhantes — ou até mais
assombrosos — em democracias consolidadas como a dos Estados Unidos. Em todo
lugar, discursos simplistas, manipuladores, revestidos de linguagem religiosa
ou motivacional, mobilizam multidões.
E, aí, fica a
pergunta: qual é mesmo a força política que se debruçou coerente e
responsavelmente sobre a realidade de maiorias dominadas por discursos
semi-bíblicos bradados por charlatães, por manipulações de coaches vendedores
de ilusões, por políticos inescrupulosos e mentirosos? Qual é a força política que ousou enfrentar, em toda a
sua extensão e em profundidade, os retrocessos civilizatórios originados de um
ambiente social e político em que a verdade é manejada, manipulada e
distorcida, em que o ódio, o preconceito e a mentira vicejam praticamente sem
contestação?
Há um ditado que diz, e
com muita razão: “Não há nada mais forte do que uma ideia cujo tempo chegou”.
Infelizmente, esse ditado tem, também, seu oposto: “Não há nada mais fraco do
que uma ideia fora do seu tempo”! Em nossa sociedade predominam o medo e os
muros. Muitos medos e muitas formas de muros. Por isso, a solidariedade, o
companheirismo, a compaixão, o respeito pela dignidade de cada uma e de cada
um, que sempre foram os valores que orientaram o meu “fazer política”, que são
a minha linguagem, o meu discurso, estão soterradas pelos medos e pelos muros.
Hoje não é seu tempo e não vejo, no cenário político, organizações que as
assumam com profundidade. Por isso, entendo que também não é mais meu tempo e
me afasto da vida partidária sempre na esperança de que a luta do povo e o
desejo de uma humanidade melhor iluminem novamente a caminhada dos humanos.
Não renuncio a nenhum
dos meus princípios e valores. Sigo socialista! Acredito na solidariedade, no
companheirismo, no apoio a quem precisa, na vida simples. Sigo socialista! Acredito
que todas e todos nós nascemos para brilhar, para sermos plenos, para sermos
felizes e livres.
Com esses valores
seguirei caminhando…. Desta vez, dedicado à produção de alimentos orgânicos
que é também uma forma de produzir vida!
Muito obrigado ao povo
de Novo Hamburgo. Muito obrigado àqueles e àquelas do Rio Grande e do Brasil
que me incentivaram e me apoiaram ao longo da jornada. Creio, sinceramente, ter
honrado esse apoio.
Muito obrigado à direção
e militância do PDT que foram o meu derradeiro espaço de militância partidária.
Desejo, de todo o coração, que esse partido de tanta história e de tantas
contribuições ao país, reencontre seu caminho ao lado das maiorias, ao lado da
justiça social, ao lado das reformas profundas capazes de enterrar, de vez, as
estruturas injustas que mantém o Brasil espoliado e milhões de brasileiros na
miséria e na ignorância.
Novo
Hamburgo, 05 de junho de 2025
Tarcisio
Zimmermann
























