Governo Finck se socorre em líderes do governo Fátima para tentar enfraquecer CPI

Vereadores que foram contra criação da CPI querem ser titulares da CPI para tentar melar as investigações

Ricardo Ritter, ex-líder do governo Fátima, trabalha para abafar a CPI que atinge o governo Finck. Daniele Souza/CMNH

A CPI que vai investigar os salários da secretária municipal da Fazenda de Novo Hamburgo, Michele Vargas Antonello, foi um dos destaques na sessão da Câmara de Vereadores desta quarta-feira (17).

A CPI quer entender se as denúncias envolvendo o recebimento de dois salários pela secretária, há mais de um ano, têm fundamento. Michele é cedida pela Prefeitura de Santa Maria e estaria recebendo, mensalmente, dois valores cheios. Ela foi convidada para levar seus esclarecimentos ao Legislativo, mas não compareceu.

Na sessão de 10 de junho, os 14 vereadores se posicionaram sobre a criação da CPI.

VOTARAM A FAVOR DA CRIAÇÃO DA CPI

Luciana Martins (PT), Daia Hanich (MDB), Deza Guerreiro (PP), Enio Brizola (PT), Cristiano Coller (PP), Felipe Kuhn Braun (PSDB), Eliton Ávila (Podemos) e Joelson de Araújo (Republicanos)

VOTARAM CONTRA A CRIAÇÃO DA CPI

Giovani Caju Pereira (PP), Ricardo Ica Ritter (MDB), Ito Luciano (Podemos), Ico Heming (Podemos),  Nor Boeno (MDB) e Juliano Souto (PL).

QUEM FOI CONTRA, AGORA QUER ESTAR NA CPI

Com a criação da CPI, começaram as movimentações nos partidos para indicar seus representantes na CPI. Cada partido pode indicar um nome. A escalação oficial dos componentes será divulgada na próxima semana pelo presidente do Legislativo, Juliano Souto (PL).

Então, foram aparecendo movimentações curiosas e com um cheiro diferente.

Vereadores que foram contra a criação da CPI, agora, querem estar na CPI. Um caso é do líder do governo e líder do PP na Câmara, Giovani Caju Pereira. Em seu primeiro mandato, o vereador envelheceu cedo no jogo político, sendo um corriqueiro praticante da velha política. Se ele foi contra ter a CPI, agora quer participar do grupo que vai investigar, sendo que seus dois colegas de PP, Cristiano Coller e Deza Guerreiro, poderão ser escanteados.

Quem também vem trabalhando nos bastidores é o veterano Ito Luciano (Podemos). Embora seu colega de sigla Eliton Ávila tenha sido a favor da CPI, a tendência é que seja indicado pelo Podemos o vereador Ico Heming, também adepto da troca de favores, ou o próprio Ito pode assumir essa tarefa.

MDB EM CHAMAS

A movimentação que mais chamou a atenção envolve o MDB. A vereadora Daia Hanich era a líder do partido na Câmara até segunda-feira e se indicou para ser a representante do partido na CPI. Contudo, os outros dois vereadores da sigla – Ricardo Ritter, o Ica, e Nor Boeno – atuaram os bastidores e tiraram o cargo de Daia. Nor assumiu como líder do MDB na Câmara e indicou Ica.

Eles eram contra a CPI. Ica chegou a afirmar, na semana passada, que as CPIs não eram produtivas. Agora se sabe o motivo: quando um parlamentar é contra um CPI, mas faz de tudo para participar das investigações, começa a se explicar os motivos de não se terem muitos resultados produtivos.

Diante de toda essa movimentação, chama a atenção que o governo Finck está se socorrendo em lideranças do governo da ex-prefeita Fátima Daudt para tentar abafar e fazer com que a CPI acabe em pizza.

Ricardo Ritter, o Ica, foi líder do governo Fátima na Câmara e, hoje, é vice-líder do governo Finck.

O vereador Nor Boeno foi defensor do governo Fátima e indicou vários CCs nos governos Fátima e, agora, Finck.

O atual presidente do MDB, Eliseu Raimundo, foi CC no governo Fátima e é CC no governo Finck.

Lineo Baum, que foi secretário municipal de Fátima Daudt, atualmente integra o gabinete de Ricardo Ritter.

E, para completar, Ito Luciano (Podemos) defendeu o governo Fátima e integra o governo Finck – sempre indicando CCs.

A lista tem mais nomes, mas esses são alguns dos nomes mais representativos.

Durante muito tempo, o prefeito Gustavo Finck (PP) fez várias críticas ao governo de Fátima Daudt (MDB). Agora, com a criação de uma CPI, ele se agarra em lideranças do governo Fátima para tentar abafar as investigações.

Se “quem não deve, não teme”, o que está por trás de tantas manobras do governo Finck e de seus aliados para impedir ou fazer a CPI acabar em pizza?

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