O governo da prefeita Fátima Daudt (PSDB) não tem um líder formalizado
na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. Do outro lado, a lacuna também não
foi preenchida para saber quem será o porta-voz da oposição. Essa determinação
consta no Regimento Interno do Parlamento, mas ainda não houve uma definição
destas posições. Em 2016, ex-vereador Roger Corrêa (PCdoB) era líder do governo
Luis Lauermann e o vereador reeleito Raul Cassel (PMDB) comandava a oposição.
Ter definidos esses nomes muda alguma coisa? Para a
oposição, sim. Sistematicamente os vereadores que não integram o governo Fátima
Daudt cobram de Patrícia Beck (PPS) uma definição para poder encaminhar demandas. A presidente da Câmara é a principal
aliada do Executivo dentro do Legislativo, mas ela optou por buscar à
presidência enfraquecendo a articulação política do governo tucano. “É algo que
poderá ocorrer em breve. Estamos começando uma nova administração e tentando
fazer o possível para atender todos vereadores”, explica Patrícia. Embora não
fale abertamente, ela sabe que sua escolha para comandar a Mesa Diretora em 2017
pode prejudicar a defesa de projetos importantes para Fátima Daudt, já que na
maioria das votações o presidente não participa. É sempre um voto a menos
pró-governo. E esse um pode fazer muita falta ali na frente.
Outra questão que envolve o governo: quem são as bancadas alinhadas com a prefeita? O PSDB não tem vereador. O PPS tem apenas Patrícia Beck. Já o PSB é outro aliado sem parlamentar. Atualmente, quem conseguiu emplacar cargos dentro do Executivo são vereadores do PDT, PT, PTB, SD e Vladi Lourenço (PP) – todos foram concorrentes de Fátima na campanha. Seriam esses os aliados?!
Do lado da oposição, ninguém sabe quem é o líder. Até o ano
passado, Raul Cassel (PMDB) vinha exercendo esse posto. “Acredito que por
continuidade ele segue como líder da oposição”, arrisca Issur Koch (PP), que
vem adotando uma posição de independência. “Ainda estou independente pensando no que é melhor para a comunidade. Mas o governo
Fátima vem fazendo de tudo pra me jogar para a oposição”, dispara o vereador mais votado na história do município.
Do lado do PT, o vereador Enio Brizola também se manifestou
a pedido da reportagem do Portal Martin Behrend. “Acredito não ter havido o
registro oficial (do líder da oposição), pelo menos não fomos consultados por
nenhuma bancada assumida como de oposição. E também não tomamos esta iniciativa”,
explica. O petista já se manifestou abertamente como oposição ao governo Fátima
Daudt. Curiosamente, quando foi para vencer a eleição para a Mesa Diretora e
garantir indicação de emprego dentro do Legislativo, o vereador do PT se juntou
à principal defensora do governo do PSDB, Patrícia Beck, para alcançar seu
objetivo. No caso, quando foi de interesse pessoal, não havia problema ser
aliado de governista.
O vereador Sergio Hanich (PMDB) é um dos postulantes ao
cargo de líder da oposição, mas ele ainda acha cedo pra tomar essa decisão. “É
um novo governo, estamos analisando como vai ser o nosso comportamento. Não
posso dizer em definitivo se sou oposição”, analisou. Questionado se aceitaria
ter como líder da oposição um vereador do PT, ele descartou essa possibilidade.
“No dia que eu precisar depender do PT para alguma coisa prefiro largar”,
alfinetou.
Líder de oposição em 2016, o vereador Raul Cassel (PMDB) não
se manifestou. A reportagem do Portal Martin Behrend procurou o ser coordenador
de gabinete, Márcio Lüders. Contudo, não houve interesse de Cassel em informar
aos hamburguenses sobre sua posição em relação ao posto de líder de oposição.
Afinal de contas, isso muda algo para a comunidade? Pouco. O
ideal é que o Poder Legislativo tenha independência. Aliados ou não, os
vereadores precisam entender que a população está cansada de picuinhas,
pegadinhas e atritos que não levam a nada. Se os projetos e as leis são
positivas para Novo Hamburgo, que se aprove. Se não for legal ou o texto
apresentado foi inadequado, que se vete.
O que ninguém mais aguenta é a Câmara servindo de puxadinho
do Executivo, vereador votando a cabresto parra garantir cargo e outros votando
sempre contra e emburrados só para dizer que são de oposição – mesmo que o
projeto seja para melhorar a cidade no futuro.
























