Os professores municipais de Novo Hamburgo estão exagerando. Ultrapassaram os limites. Deixaram o copo transbordar. Viraram o fio. Atropelaram o bom senso. A decisão de permanecer em greve por tempo indeterminado é um gesto de desrespeito aos alunos, pais e responsáveis. Praticamente um mês com salas vazias.
Cadê o amor pelas crianças? Onde ficou a vontade de um mundo melhor para essa juventude? Em assembleia na manhã de hoje, na sede do Grêmio Atiradores, no bairro Rondônia, professores e servidores em geral aprovaram a continuidade da greve. Mas tudo tem um limite.
Venho acompanhando passo a passo a luta dos professores por um reajuste adequado e legal. Escrevi artigos defendendo os professores e mostrando que o governo do prefeito Luis Lauermann (PT) tem dinheiro sobrando, mas prefere não repassar o dissídio em parcela única aos professores. Entrevistei a presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Novo Hamburgo (SindProfNH), Andreza Formento. Filmei e publiquei os protestos justos. Condenei a repressão e a censura impostas pela Prefeitura de Novo Hamburgo às manifestações e ao trabalho da imprensa. Mas tudo tem um limite.
Ontem, a proposta
de reajuste foi apreciada em segundo turno
pelos vereadores. E, por 8 votos a 5, foi aprovado pela Câmara o projeto enviado pelo Executivo do repasse em duas parcelas: 5,75% em abril e 2,66% em novembro. Os professores e servidores queriam em parcela única – aliás, não repassar o dissídio em parcela única, existem decisões no Judiciário, seria ilegal. A luta dos professores foi comovente, entusiasmada e corajosa. Enfrentaram homens e mulheres que se sentem poderosos e donos da cidade. Mas tudo tem um limite.
O limite foi ultrapassado. Hoje era dia de anunciar a retomada das aulas. Os professores conseguiram enfraquecer a administração de Luis Lauermann, que vem gastando milhões em publicidade, CCs, diárias de luxo e empregando companheiros encostados, por exemplo, mas não consegue pagar o reajuste mínimo ao magistério. Ficou claro que a prioridade do governo não é valorizar o professor e a educação. Os professores, no fundo, venceram. Conseguiram sensibilizar a comunidade, chamaram outros servidores para greve, fizeram o movimento ser respeitado.
O limite foi ultrapassado. Milhares de crianças precisam voltar a estudar. Milhares de pais não podem mais ficar com suas vidas trancadas em função dos filhos estarem “mofando” em casa. Tenho recebido relatos de pais angustiados e aflitos. Muitos pais, que estavam ao lado dos professores, começam a se irritar. Estão começando a se indignar com a greve sem fim. Os professores estão começando a colecionar desafetos e inimigos. O bom senso exigia o retorno às aulas – a Prefeitura não teve bom senso durante a negociação, e o magistério
poderia dar essa lição. Os professores foram vitoriosos. Mas, se a greve continuar, vão jogar fora todo um trabalho de mobilização. Tudo tem limite.

























