Nesta sexta-feira (23), a Prefeitura de Novo Hamburgo divulgou o seguinte conteúdo: “Semana do Meio Ambiente de Novo Hamburgo começa em 1º
de junho”.
O material repassado pela assessoria começa com esse texto: “Tradicional evento nacional voltado, neste ano, à conscientização sobre as mudanças climáticas, a Semana do Meio Ambiente ocorre de 1º a 5 de junho em Novo Hamburgo, com uma programação voltada para todos os públicos.”
Essa mobilização do Executivo hamburguense sobre a conscientização ambiental e os impactos das mudanças climáticas no país é positiva e bem-vinda, mas contrasta com um projeto de lei que já está provocando polêmica na cidade e que foi divulgado pelo Portal Martin Behrend.
É o Projeto de Lei 51/2025, de autoria do Poder Executivo, e que está tramitando na Câmara de Vereadores. Conforme a proposta, uma área verde preservada poderá sumir do mapa de Novo Hamburgo. O território em questão fica no bairro Canudos, no Loteamento Chácara Hamburguesa – envolvendo ruas como Oswaldo Hartz, Irineu Armando Steigleder e Otto Schonardie. São cerca de 23 mil metros quadrados.
Conforme o texto enviado pela Prefeitura, “A finalidade da desafetação fica delimitada ao reassentamento urbano de famílias de moradores que tiveram suas casas interditadas ou perecidas em decorrência das enchentes de Maio de 2024 no Município de Novo Hamburgo…”
Na prática, uma área verde deixa de existir para que se construam residências para famílias afetadas pelas enchentes. Essa situação vem preocupando dezenas de moradores do entorno, que projetam mais prejuízos e riscos de alagamentos com o sumiço da área verde.
Um morador que reside próximo da área verde esteve na Câmara externando sua preocupação – a matéria pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
REPERCUSSÃO
A mobilização de moradores gerou diferentes repercussões. O Executivo, preocupado com protestos de moradores, tentou mobilizar os vereadores para aprovar o projeto em regime de urgência. Contudo, essa intenção não prosperou e o projeto está passando pelas etapas normais de tramitação. Neste momento, está sendo analisado pela Procuradoria-Geral da Câmara.
Em outra frente, após a publicação da reportagem, alguns hamburguenses também se manifestaram sobre o tema:
“É preciso refletir. Aconteceu conosco no Condomínio Princesa Isabel, na Vila Kroeff, inundado ano passado. Construíram 320 ‘apes’ sem aterro suficiente. Era área verde também. Uma irresponsabilidade.”
“Se sair esse projeto vai desvalorizar todo o bairro. Vai alagar as casas mais pra baixo, que hoje já alagam quando chove muito. Fora que a área verde tem vertente no mato. Essa semana descarregaram caminhão de pedra na rua. No mínimo, querem trancar a sanga. Destruir area verde é crime ambiental.”
“A solução da Prefeitura para resolver um problema é criar outro problema, ou outros problemas?”
TRAUMA DA ENCHENTE
O Rio Grande do Sul ainda está traumatizado pelas enchentes históricas de 2024. A preservação de áreas verdes para absorção e retenção de água é um dos pontos considerados fundamentais para reduzir os impactos e prejuízos dos alagamentos em dias de chuva forte.
Será que esta área verde é a única alternativa em Novo Hamburgo para que estas residências sejam construídas? A resposta será dada pela Câmara de Vereadores.
Vale lembrar que, há poucas semanas, os parlamentares hamburguenses aprovaram uma Moção de Apelo que pede à Prefeitura de Novo Hamburgo que inicie articulações junto ao governo federal para que um terreno em frente à Estação Santo Afonso do Trensurb seja direcionada para a construção das novas unidades habitacionais – a matéria está aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…

























