O Parque Floresta Imperial está passando por um processo de
maquiagem pré-eleição municipal. Praticamente largada durante mais de três
anos, repentinamente passou a receber tinta, detergente e vassouras. Embora
exista um esforço de recolocar um dos mais tradicionais parques públicos de Novo
Hamburgo em melhores condições, tem feridas que não vão cicatrizar tão cedo e
seguirão expostas para quem quiser “apreciar”.
Uma destas feridas é a casa posicionada no acesso ao parque,
numa espécie de melancólica boas vindas. Um patrimônio histórico valiosíssimo e que se tornou
objeto de cobiça de pichadores e vândalos. Nos últimos anos, devastada pela
omissão da administração municipal, este prédio resiste a tombar. Mesmo esquecido e
sofrendo com a falta de atenção, a edificação insiste em relembrar que neste
local, ao que indicam pesquisas, oficiais de Dom Pedro II tenham pernoitado. O
então imperador brasileiro veio para o Sul do país e, numa dessas passagens,
soldados do império ali buscaram pouso e descanso. Vem daí o nome Parque
Floresta Imperial.
Imagina que tipo de trabalho poderia ser feito de resgate da
história do município neste local? Que espaço generoso para os pequenos
hamburguenses mergulharem no passado de Novo Hamburgo? Um parque, com
estacionamento, podendo ser local seguro, numa casa onde ficaram soldados do
antigo Império brasileiro? Esta casa, outrora, já funcionou como biblioteca e
teve outras funções. Contudo, como patrimônio histórico não vota, mais um
pedaço da história vai se perdendo.
Uma curiosidade: a Comissão do Patrimônio ligada à
Secretaria Municipal da Cultura criou vários obstáculos para liberar o empreendimento
da H.Lar Construções denominado Elo Complexo Multisuo. São três torres junto à
Avenida Victor Hugo Kunz, num empreendimento estimado em R$ 100 milhões. A
alegação da comissão para aprovar o projeto apresentado é que a altura dos
prédios vai impactar no Corredor Cultural, outro bem valioso de Novo Hamburgo. O
projeto segue em debate e ainda não se sabe qual será o posicionamento final.
Engraçado que para impedir esse empreendimento a comissão e
a Secretaria da Cultura se posicionou com firmeza. Em relação a este outro
baita patrimônio histórico nada se ouve. É como se a comissão aprovasse a
devastação na antiga “casa imperial”. Em tempo: a recuperação da antiga Semec
2, na Avenida 1º de Março, que vai se transformar na Casa das Artes, é a
exceção à regra. Infelizmente, virou caso isolado, embora seja um alento.
No começo da semana, o Portal Martin Behrend entrou em
contato com a Prefeitura de Novo Hamburgo. Enviou e-mail para cinco integrantes
da equipe de comunicação. A solicitação da reportagem foi uma entrevista com
algum integrante da Secretaria da Cultura ou da Comissão de Patrimônio. Até o
fechamento da reportagem, ninguém quis prestar esclarecimentos à comunidade
sobre o destino deste patrimônio histórico dentro do Parque Floresta Imperial.
























