A Fenac colocou novamente para leilão uma grande área do seu patrimônio.
São os terrenos onde funcionou o Hotel Fenac e onde estão onze quadras de tênis abandonadas, naquilo que foi o Centro Tenístico da Federação Gaúcha de Tênis (FGT)/Fenac. É quase um quarteirão com frentes para a Avenida Vereador Adão Rodrigues de Oliveira, Rua Araxá e Rua Marquês do Alegrete.
Conforme apurado pela reportagem do Portal Martin Behrend, o valor total da área está sendo oferecido por R$ 48,8 milhões – o valor exato do lance inicial é 48.891.467,25. O leilão está previsto para 31 de agosto, às 14h30. Além do valor total, existem matrículas/terrenos para arremates em separado.
Há mais de dez anos, esta mesma área foi colocada para leilão. À época, gestão do ex-prefeito Luis Lauermann (PT), o valor para arremate era R$ 18 milhões. Foram realizadas duas chamadas, mas não apareceram interessados – leilão deserto.
O Portal Martin Behrend registrou essa movimentação de uma década atrás. Relembre uma das matérias falando do leilão da área: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/ninguem-aparece-no-segundo-leilao-para-venda-de-area-da-fenac-e-projeto-de-modernizacao-estaciona .
DESTINO DO DINHEIRO
À época do leilão realizado no governo Lauermann, uma das especulações era o que dinheiro poderia ser utilizado pelo governo municipal para movimentar a máquina pública do governo petista – essa avaliação foi negada pela então direção da Fenac.
Desta vez, fontes ouvidas pela reportagem do Portal Martin Behrend avaliam que existe um cenário parecido. Como a Prefeitura de Novo Hamburgo é a maior acionista da Fenac, dezenas de milhões de reais poderão ser injetados no governo do prefeito Gustavo Finck (PP).

“NÃO ESTÁ SENDO TRATADO”
Em março deste ano, o Portal Martin Behrend publicou a reportagem: “Um cemitério de 11 quadras de tênis em Novo Hamburgo agoniza à espera de um milagre”. A matéria descreveu a situação desta mesma área que vai a leilão, com as ruínas de um hotel e as quadras de tênis impraticáveis.
Na reportagem, foi pergunatado ao presidente da Fenac, Marlos Schmidt: “Existe um novo plano para vender esta área?”
A resposta de Schmidt, há quatro meses, foi: “A gestão está focada nas entregas das feiras que precisam ser priorizadas. Adicionamos feiras e estamos buscando incremento nas existentes, além disso estamos buscando novos eventos, o que merece nesse momento nossa energia. Esse tema não está sendo tratado pela diretoria no momento.”
Como o mundo é dinâmico, aquilo que em março nem estava sendo tratado pela diretoria – segundo palavras do presidente -, em julho já está indo para leilão. No link a seguir tem a entrevista completa, em março deste ano, com Marlos Schmidt: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/um-cemiterio-de-11-quadras-de-tenis-em-novo-hamburgo-agoniza-a-espera-de-um-milagre .
FENAC
O Portal Martin Behrend procurou o presidente da Fenac, Marlos Schmidt. Foram enviados os seguintes questionamentos:
1) Em março deste ano, em entrevista ao Portal Martin Behrend, foi perguntado: “Existe um novo plano para vender esta área?” A resposta, em março, foi: “Esse tema não está sendo tratado pela diretoria no momento.” Como um assunto que envolve quase 50 milhões de reais entrou tão rapidamente em pauta? Ou foi omitido que o assunto não estava sendo tratado pela diretoria?
2) Fontes consultadas pelo Portal Martin Behrend avaliam que o valor será usado para turbinar o governo do prefeito Gustavo Finck, assim como se falava há dez anos, quando foi colocado pra vender no governo do PT. A Fenac está vendendo um patrimônio da comunidade para turbinar o governo municipal? Se não for isso, qual será o destino destes recursos, já que há uma década a ideia era investir na modernização da Fenac do Futuro? Para onde vão estes quase 50 milhões?
3) Por que a Fenac optou por vender a área, quando poderia seguir com este patrimônio recebendo recursos de investimentos de terceirizados no local?
4) Por que foram colocados para leilão a área total e áreas em separado? Qual a estratégia da Fenac com essa separação?
Abaixo estão os retornos do presidente Marlos Schmidt:
“Em relação ao primeiro ponto, sobre a ausência de informações quando o tema foi abordado anteriormente, é importante esclarecer que, naquele momento, o assunto ainda estava em discussão no âmbito do Conselho de Administração. Trata-se de uma instância de governança distinta da Diretoria Executiva e, por uma questão de compliance, respeito à estrutura de governança e preservação do processo de tomada de decisão, a Diretoria não poderia antecipar informações que ainda estavam sendo debatidas pelo Conselho.
Quanto à afirmação de que a venda teria como objetivo ‘turbinar o governo’, essa interpretação não corresponde à realidade. O propósito da operação é fortalecer a própria Fenac.
Quem visita a Fenac percebe que há uma série de investimentos importantes a serem realizados, tanto na infraestrutura quanto na modernização do parque de exposições. Estamos falando de melhorias em estacionamento, banheiros, acessibilidade, pavimentação, pisos, áreas de circulação, instalações e outros investimentos necessários para manter a Fenac competitiva e preparada para receber eventos cada vez maiores e de melhor qualidade.
Sobre a decisão pela venda parcial da área, trata-se de uma estratégia construída a partir de avaliações técnicas e das condições atuais de mercado. A alternativa foi considerada a mais adequada para permitir que a Fenac gere recursos para investir em sua atividade-fim, preservando seu patrimônio de forma responsável.
Também é importante destacar que essa discussão não é recente. Há mais de uma década existem estudos e análises sobre alternativas para utilização daquela área. Em nenhum momento foi demonstrada viabilidade econômica para que a própria Fenac desenvolvesse investimentos capazes de dar uma destinação sustentável ao local. Enquanto isso, trata-se de um ativo que gera custos permanentes de manutenção, sem retorno compatível.
Sob a ótica da gestão, entendemos que transformar um patrimônio sem utilização efetiva em investimentos que qualifiquem a infraestrutura da Fenac é uma decisão responsável. O objetivo é garantir que a empresa continue evoluindo, ampliando sua capacidade de atrair eventos, gerar negócios e contribuir ainda mais para o desenvolvimento econômico de Novo Hamburgo e da região.
Esse é o racional que fundamenta a decisão: investir na Fenac, fortalecer sua competitividade e preparar a empresa para os desafios e oportunidades do momento e dos próximos anos.”
Informações adicionais do leilão estão neste link: https://www.nsleiloes.leilao.br/leilao/lotes/imoveis .
























