Duas ocorrências de incêndio em residências de Novo
Hamburgo, ainda no ano passado, chamaram atenção por característica semelhante:
as casas estavam localizadas há poucas quadras do quartel do Corpo de Bombeiros
de Novo Hamburgo – na esquina das ruas Júlio de Castilhos e João Antônio da
Silveira. Mesmo assim, os carros para combater as chamas levaram muito tempo
para chegar. Na Rua Gomes Portinho, em janeiro, foram quase 30 minutos para
percorrer quatro quadras e, na Rua Arapeí, em novembro, foram cerca de 15
minutos para percorrer seis quadras. Felizmente, não se perderam vidas, mas o
prejuízo material foi completo nos dois episódios.
Na ocorrência da Rua Arapeí, um bombeiro foi cristalino no
desabafo durante o combate às chamas. “É isso que vocês de Novo Hamburgo têm
hoje: um caminhão e três ou quatro soldados”. Ele se referia à equipe de
plantão naquele domingo. Há algumas semanas, a reportagem do Portal Martin
Behrend vem tentando confirmar o número exato de soldados à disposição para
atendimento de ocorrências aos finais de semana. Foram feitas tentativas por telefone e e-mail, mas
não houve retorno das solicitações. Também pelo Twitter não foi possível, já
que o perfil @BombeirosNH ligado à corporação bloqueou o acesso do editor
do Portal Martin Behrend.
Informações extraoficiais apuradas pela reportagem confirmam
que apenas uma equipe está disponível aos finais de semana. Hoje, a reportagem
passou pelo quartel e a movimentação dos soldados era quase inexistente. Essa
falta de efetivo e de bombeiros à disposição é um sinal claro de tragédia
iminente: como será o enfrentamento de chamas caso ocorra algum incêndio em
empresa ou num dos tantos arranha-céus do município, com 20 ou 25 andares e dezenas de moradores? Será preciso esperar, 10,
15, 20 minutos por socorro de equipes de São Leopoldo, Campo Bom? E, se forem
duas ocorrências simultâneas? Quanto vale uma vida que pode ficar confinada
pelo fogo?
Os próprios bombeiros sabem dessa carência, mas passa pelo
governo do Estado uma atitude de contratar novos servidores. O curioso é que os
veículos – caminhões, carros e outras viaturas – estacionados na garagem são em
quantidade aceitável. Só que sem soldados para guiar fica uma realidade
incompleta, já que os caminhões ainda não se deslocam por controle remoto.
Enquanto Novo Hamburgo ainda luta para manter alguma equipe
de plantão, em outros municípios da Grande Porto Alegre a situação é ainda mais
delicada. Em Sapucaia do Sul, o atendimento está suspenso até o próximo dia 31
de janeiro. A interrupção nas chamadas externas vale para o período das 20h às
8h. Esteio, cidade vizinha, o quartel está programado para não atender
ocorrências externas nas noites de 14, 15, 17, 19, 21, 22, 24, 26, 28, 29 e 31
de janeiro. Haverá noites em que Esteio e Sapucaia não estarão de serviço e os
chamados terão que ser atendidos pelas equipes de São Leopoldo e Canoas.
Acorda, governador José Ivo Sartori (PMDB). Já passou da hora de termos mais bombeiros trabalhando para proteger a população e salvar vidas! Tome providências antes de uma tragédia iminente.
Em relação às reportagens citadas anteriormente, nas ruas Gomes Portinho e Arapeí, elas podem ser conferidas nos links a seguir: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i… e http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i… .
























