Aumento na tarifa de água em 25,5%: empresários incomodados e entidades fazem reunião

O expressivo aumento da tarifa da água em Novo Hamburgo está provocando reações de insatisfação e indignação da comunidade.

Na semana passada, uma reportagem do Portal Martin Behrend destacou: “Prepare o bolso: tarifa da Comusa será reajustada em 25,5%”.

A matéria ressaltou que “O Conselho Superior da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (Agesan-RS) aprovou a revisão tarifária de 25,52% na tarifa da Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo, a partir de 2025, com validade de cinco anos.

A revisão passa a valer a partir do dia 1º de fevereiro de 2025.”


A matéria completa pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

REUNIÃO E MOBILIZAÇÕES

A reportagem do Portal Martin Behrend acabou provocando diversas reações de hamburguenses nas redes sociais.

Alguns dos comentários repassados para o Portal Martin Behrend: “Pesaram a mão neste aumento”; “Isso é uma verdadeira vergonha”, “Até quando o povo vai pagar pela incompetência dos gestores?”, “Onde vamos parar? Onde estão os benefícios destas arrecadações absurdas?”, “Tá louco! Já estamos pagando uma taxa de esgoto que levou a conta de água lá em cima, ainda teremos aumento da taxa da água!!??”, “O que foi feito para evitar isso? Foram eleitos e não se mexeram para impedir?”

Nesta segunda-feira (20), representantes do Grupo Pensando Novo Hamburgo e da Associação de Arquitetos e Engenheiros de Novo Hamburgo (Asaec NH) estiveram reunidos na sede do Poder Legislativo com o presidente da Câmara de Vereadores, Cristiano Coller (PP).

Uma das questões levantadas pelo grupo é que a cidade segue em estado de calamidade pública. Por exemplo: a Prefeitura não vem apoiando eventos para economizar recursos. Então, como imaginar que a comunidade está em situação tranquila? “Se a Prefeitura pede ajuda ao governo federal após as enchentes de maio, como pode propor um aumento abusivo como este à população?”, questionou a coordenadora-geral do Pensando Novo Hamburgo, Rosana Oppitz.

Presente à reunião, o engenheiro, ex-prefeito e ex-vereador Cleonir Bassani destacou que a Agesan havia inicialmente proposto um aumento de cerca de 8%, considerado aceitável. Ele criticou a ausência de questionamento ao índice apresentado. “Por que não houve nenhuma contraproposta? O que mudou para que o índice subisse de 8% para 25%?”, indagou.

O empresário Heitor Dapper afirmou na reunião e reafirmou na saída: já foi acionado por empresários pedindo para ele analisar áreas e pavilhões em outros municípios. O pedido é de uma sondagem para avaliar eventual transferência por estarem preocupados com os impactos de mais um aumento. “Fui procurado por empresários em razão dos impactos nas empresas”, salientou Dapper.

O presidente da Câmara de Vereadores, Cristiano Coller (PP), aliado do governo e do mesmo partido do prefeito, informou que já havia conversado com a secretária municipal de Gestão, Governança e Desburocratização, Andrea Schneider, e que foi informado sobre os estudos realizados pela Comusa a respeito do tema. Coller comprometeu-se com o grupo e com a comunidade a buscar mais esclarecimentos sobre o aumento.

QUESTIONAMENTOS

Entre as posturas vêm provocando indignação e insatisfação da comunidade:

– Novo Hamburgo se encontra em estado de calamidade pública. Como repassar esse aumento para a população se o estado é de calamidade?

– Se a direção anterior da Comusa mostrou que havia condições de ter um aumento de 8,5%, por qual razão se optou por 25,5%, repassando essa conta para a tarifa de água?

– Na gestão anterior, os integrantes do atual governo fizeram grande campanha e criticaram os aumentos do IPTU? Agora, que estão no governo, fazem igual?

– Em 2018, quando houve reajuste de tarifas na Câmara, os vereadores do PP eram oposição, foram contra o aumento e se posicionaram firmemente contra o reajuste – relembre matéria do Portal Martin Behrend: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…. Agora, o PP está na no comando da Prefeitura e aceita esse aumento?

– O que o governo eleito fez, entre 6 de outubro e 31 de dezembro, para evitar esse reajuste? Por que o assunto não foi debatido com a comunidade e com os vereadores? Por que decisões no final de dezembro, quando é um período de desmobilização? Por que o silêncio e a passividade diante desse reajuste tão pesado?

Em 30 de dezembro de 2024, no final da sua gestão, o ex-vice-prefeito e ex-diretor geral da Comusa, Márcio Lüders, se posicionou sobre a decisão do reajuste: “A decisão do pagamento de
precatórios é política e não técnica, cabendo ao próximo
governo. Não podemos incluir esse acréscimo na tarifa da
comunidade… A análise
realizada pela própria Agesan concluiu que 8,55% é suficiente
para abarcar todos os investimentos pelos próximos cinco anos
e obrigar a autarquia a aplicar um percentual maior
desrespeito ao usuário… Na minha visão, esse
reajuste é excessivo.”

PREFEITURA

Nesta segunda-feira, o Portal Martin Behrend procurou a Comusa sobre um posicionamento. A manifestação veio através da assessoria da Prefeitura de Novo Hamburgo:

“Ao longo desta semana, a Comusa e a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (Agesan-RS) devem desenvolver uma dupla diligência com relação aos cálculos tarifários. O prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck, solicitou à direção da companhia hamburguense alternativas para a implementação do reajuste.

De acordo com o diretor-geral da Comusa, Paulo Kopschina, os esforços estarão concentrados em minimizar impactos aos cidadãos do Município.”

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