Moradores da Rua Gramado, no bairro Ouro Branco, vivem dias de angústia. Desde outubro do ano passado, quando uma chuvarada levou parte da calçada e provocou deslizamento de terra junto a uma residência, dias e noites de chuva representam coração apertado, suor nas mãos e o temor de que a cena se repita. Em especial, para a família moradora no número 336 da rua. É que a residência ao lado, de número 448, quase foi levada pelo deslizamento de terra. No local, morava a matriarca da família, uma senhora viúva e aposentada. A casa foi condenada pela Defesa Civil e precisou ser abandonada.
Já se passaram quase quatro meses do episódio. A atual situação é a seguinte: a casa está esvaziada e a família está investindo em um novo muro de contenção e, em seguida, a calçada será refeita. Os gastos inesperados estão sendo tirados do bolso de familiares. Só que existe uma grande preocupação: se aconteceu um deslizamento, pode ter o segundo, o terceiro e o quarto. Além disso, há um temor que a nova obra sirva como contenção única para todo trecho da rua, o que poderá representar, no futuro, mais prejuízos e gastos.
Os moradores estão incomodados pelo fato de que, tirando uma visita da Defesa Civil para condenar a casa, ninguém mais da Prefeitura aparecer para investigar a situação da rua. Detalhe: existem dois protocolos anteriores ao deslizamento solicitando a presença de equipes da Prefeitura na rua exatamente para verificar indícios de infiltração na rua. A família buscou a prevenção, pelo menos, por duas vezes, mas o Poder Executivo ignorou o chamado da família, que agora teve sua casa condenada.
A suspeita da família que teve a casa atingida é que obras realizadas pela Prefeitura na Rua Gramado tenham favorecido o deslizamento de terras. As marcas de que a rua foi aberta estão lá: são cicatrizes de que houve trabalho no local e, posteriormente, foi fechado com asfalto. Conhecendo o padrão de acabamento nas obras, a suspeita é grande que muita água pode ter infiltrado por ali.
A família cobra da Prefeitura uma visita para saber se a terra segue se mexendo ou se tem umidade sob o asfalto, o que poderá representar um novo estrago.
Detalhe: o IPTU está pago e em dia. Para cobrar e pegar o dinheiro dos hamburguenses, a Prefeitura sempre tem tempo. Agora, para verificar um problema que poderá causar prejuízos e pode custar vidas, falta tempo para os servidores da Prefeitura.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Novo Hamburgo. Há dez dias, foram enviados e-mails para seis integrantes da equipe de comunicação colocando o blog à disposição para esclarecimentos do que estava sendo feito. A Prefeitura não quis explicar a situação para a comunidade.

























