Na minha infância – nos idos dos anos 70 – sempre ouvia
dizer que o Brasil seria o País do futuro. Antes e depois da Copa do Mundo de
1970 cantávamos várias músicas ufanistas, entre elas “Esse é um País que vai
pra frente”.
Na adolescência e início da fase adulta, ainda sob o regime
militar, o ritmo – bem como a situação política do País – já não eram os
mesmos. O Brasil rumava para a redemocratização e o rock nacional estava
querendo ocupar o mercado, mas a proposta de que o “futuro” estava logo
ali adiante continuava, bem como um presságio… que nos persegue até hoje.
A Legião Urbana com “Que País é esse?”, em 1987, alardeava
que “ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da
nação”.
Mas antes deles, ainda em 1983, podíamos ouvir a banda
“Ultraje a rigor” gritando – em sua música “Inútil” – que “a gente não
sabemos escolher presidente”. Fico me perguntando se o Roger (vocalista e
compositor do grupo) era vidente ou – o pior – nos rogou essa praga!
Já na virada do milênio – ainda sob os holofotes do Mensalão
em 2005 – os Titãs lançaram “Vossa Excelência”, na época rechaçada com
veemência pelos parlamentares e inclusive muito pouco tocada nas rádios e TVs,
mas que hoje é tão atual quanto quando foi lançada.
Em 2017, Gabriel o Pensador apresentou “Tô Feliz (Matei o
Presidente)2”, incríveis 25 anos – e cinco presidentes depois – de ter lançado
“Tô Feliz (Matei o Presidente), na época uma “homenagem” a Fernando Collor
no auge de seu impeachment em 1992!
Até quando aceitaremos votar nos mesmos, apesar dos
escândalos recorrentes? Até quando acreditaremos em promessas que NUNCA são
cumpridas? Até quando acompanharemos os políticos se manterem no poder,
aumentando seus salários/privilégios e os do que os cercam, enquanto convivemos
com pobreza, violência e milhões de desempregados?
Até quando Mensalões, Petrolões, empréstimos duvidosos do
BNDES, apartamentos com milhões de reais e dólares guardados em espécie, malas com
dinheiro correndo pelas calçadas, gravações em garagens palacianas, triplex,
sítios em Atibaia – e por aí vai – deixarão você estagnado e sem entender que
não existem salvadores da pátria? “Até quando esperar”, como já cantava a Plebe Rude em 1985?
Pare e pense se, nesse exato momento, existem pessoas como
você – indignadas – defendendo propostas totalmente diferentes das que
estamos acostumados (ou sendo obrigados) a ver.
Será bem melhor você fazer uma escolha acertada – em 2018 –
do que esperar que uma Anitta ou um Pablo Vittar criem alguma canção tão boa e
significativa para empurrar, por mais alguns anos, o já ancião refrão de “o País
do futuro”.
Enquanto pensa, escute todas as músicas!
“Esse é um País que vai pra frente” https://www.youtube.com/watch?v=SVmQ-YPM4KI
“Que País é esse?” https://www.youtube.com/watch?v=CqttYsSYA3k
“Inútil” https://www.youtube.com/watch?v=qxRRxN5Lx3o
“Vossa Excelência” https://www.youtube.com/watch?v=KV1_QQ5vj1ghttps://www.youtube.com/
“Tô Feliz (Matei o Presidente)2” https://www.youtube.com/watch?v=cBiKePi3QMY
“Até quando esperar” https://www.youtube.com/watch?v=Hau9i7FiVfM

























