Depois de ler livro o Vila do Desespero, de Cezar Lopes,
fiquei com aquela sensação estranha de que eu não sei nada sobre a sociedade
que me circunda. Fico na minha zona de conforto, que foi também conquistada a
duras penas, e não me dou conta ou não quero ver a realidade de uma grande
parte da nossa sociedade.
Com certeza a experiência do autor como Assistente de
Direção Institucional da FASE (Fundação de Atendimento Socio-Educativa – antiga
Febem) para onde vão os menores infratores foi fundamental para poder ambientar
com tanta realidade e tanto movimento, o ambiente dessa Vila.
Como ele mesmo diz, para levar um trabalho desses a bom
termo, a gente tem de se envolver no modus vivendi e nas culturas disso que,
para muitos dos que estão lendo, é o submundo. E nessa situação toda a ganância
dos poderosos entra em cena. Como sempre e em qualquer lugar do mundo.
Misturando o poder instalado, com prostituição, com drogas, com interesses
obscuros, propinas e tudo o mais tão em moda atualmente.
E a miopia dos líderes de esquerda, que mostram a
engenhosidade da construção de uma ação política, não enxergam melhor solução
do que serem populistas e perpetuarem a situação de extrema pobreza. Porque dá
voto! São capítulos do cotidiano, mas um
verdadeiro interessado na melhoria daquela população teria feito um outro tipo
de negociação. Estava tudo ali para ser feito, mas preferiram não mudar nada. E
com o apoio do povo!
Enfim, é um livro de 127 páginas, mas que quando se chega ao
final, tem-se a impressão de ter lido 500, de tão envolvente, de tão intenso e
de tão profundo o seu conteúdo. Fácil de
ler, sem páginas e páginas de descrições, é tudo ação. E surge uma sociedade
dentro da outra, como verdadeiras matrioscas (palavras do autor).
Cezar Augusto Lopes é morador de Estância Velha Velha, se
formou em Magistério, Ciência da Computação, fez grande parte de Direito e
Licenciatura em História. É um ser inquieto, inteligente, lógico e muito
pensante.
O lançamento do livro será no dia 27 de abril, na Livraria
Noble Book, na Rua Marcílio Dias, na quadra entre a Bento Gonçalves e a Avenida
Pedro Adams Filho, em Novo Hamburgo, a partir das 19 horas. Sugiro a
leitura. Vale a pena prestigiar esse
autor local, que tão bem escreve sobre a nossa realidade.

























