A doce ilusão de transferir a um objeto, situação ou pessoa a
responsabilidade de nossas escolhas, sob meu ponto de vista, se
caracteriza como a
idolatria moderna. Aprender com bons exemplos é outro tema. Vou explicar.
Aprendemos, quando crianças, a imitar nossos pais e aqueles que estão mais próximos. Os transformamos em
referência de conduta moral e ética.
São os nossos heróis do mundo durante um período de descobertas e
experimentações: infância, adolescência, jovens adultos. E quem sabe
mais um pouquinho à frente!?
Muitos daqueles que nos educaram são heróis permanentes. Nunca me
esqueço de um professor de matemática na antiga sétima série: o
Professor Elemar. Ele foi um ícone para mim. Ele conseguiu explicar
matemática como ninguém, inserindo em nosso cotidiano questões
simples e lógicas.
Amigos, parentes, colegas de trabalho e tantas outras pessoas em nossa jornada contribuíram com suas ações e exemplos. Quando a
maturidade nos alcança, começamos a questionar se as decisões em nossa vida são nossas ou são imitações de alguém do passado?
É neste instante que uma luz de alerta acende. Como podemos, em idade adulta,
repetir decisões ou posturas de outras pessoas, quando temos a plena consciência de nossos atos?
Nossa desculpa interior é: mas foi um bom exemplo. Por melhor que ele tenha sido: o contexto era outro, a vida era outra
e não era a sua. Confundimos referência com heroísmo. Heróis não se questionam! Será?
Os super-heróis como conhecemos começaram a ser criados em 1938, no
caso, o Superman. Batman em 1939, o Quarteto fantástico e o Homem Aranha
a partir de 1961. Desde a Grécia antiga, o antigo Egito e a China
antiga, os ídolos sempre estiveram presentes. Seus
superpoderes cegavam e inspiravam multidões à utopia.
Muitos deles foram utilizados como justificativas para inúmeras
barbáries e carnificinas. Hitler é um dos ícones destes tempos: foram 6
milhões de almas exterminadas.
A questão crucial aqui é: por que precisamos de ídolos?
Somos meros mortais. Qualquer ser humano que passou por este
planeta esteve na mesma situação que nós: erros, acertos, indecisões,
variações, boas e más histórias.
Talvez o único que serviu realmente de exemplo a nós foi Jesus Cristo,
dependendo de sua religiosidade, Buda, Krishna e tantos outros. Todos se
colocaram à serviço da humanidade sem pregar a fé cega.
Será que somos ídolos de nós mesmos? Batemos palmas para nossa atuação
diária? Aprendemos com nossos erros e acertos? Criamos um altar interno
ou fora de nós?
Atualmente, vários heróis e ídolos galácticos aparecem como salvadores
da pátria em várias áreas da vida: política, música, arte, negócios,
pensamento e outros.
Quem precisa ser salvo?
Só se for de si mesmo(a). Lembra a velha frase na infância: “mas
fulano também fez isso”. Ela não justifica uma vida que terceiriza
decisões e desculpas em pequenos ou grandes temas.
A tarefa de nos autoconhecer é intransferível. Nossa evolução é solitária e, ao mesmo tempo,
solidária. Precisamos das pessoas. E elas de nós.
A frase “Conhece-te a ti mesmo” é considerada uma das primeiras e mais
famosas reflexões sobre o autoconhecimento. Ela foi encontrada no templo
do deus Apolo, em Delfos, na Grécia, por volta do século IV a.C. Essa
máxima é frequentemente atribuída ao filósofo
Sócrates, embora sua origem exata seja incerta.
Será que não nos falta um pouco de humildade para aceitar que somos
seres humanos vulneráveis e passíveis de erro? Um pouco de coerência em
nossas ações?
Em um mundo caótico, chega a ser épico se conhecer além das postagens
nas redes sociais. Tão heroico quanto humano. Enfim: somos todos
aprendizes na escola da vida.
Vai um ídolo aí? Experimenta olhar no espelho!
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br

























