Era junho de 2016. Sentia uma dor no testículo que começou a incomodar
em janeiro e se tornou inaceitável. Graças a Deus! Ela me fez ir ao médico e,
apesar de fazer check-up todos os anos, desde os 30, me pegou de surpresa em
função do local e de que eu não tinha a menor ideia do que estava acontecendo!
Fiz o que a maioria faz:
pesquisei na internet, olhei no espelho, perguntei para amigos, criei um monte
de fantasias na minha mente.
Parecia
a recepção do inferno: sem saber o que seria e com medo do que poderia
acontecer!!
Em uma dessas pesquisas apareceu a informação de que poderia ser câncer.
Nossa!!! Aquela notícia mexeu comigo!!! Comecei a imaginar que iria morrer e
que deveria fazer tudo o que podia para ajustar a situação e me preparar para o
pior. Foi uma sensação de desespero
misturada com impotência! Eu nem
sabia exatamente o que era e já mexia comigo de um jeito improvável!
É
interessante perceber como a palavra câncer tem uma força descomunal! Leio
muito, estudo de tudo, vou normalmente ao médico e me considero uma pessoa
resiliente. Aquela probabilidade era como um soco no meu estômago e um peso a
minha mente.
Quando fui ao médico urologista e ele começou a examinar, olhar, ficar
quieto e dizer para mim: olha, precisamos investigar, pode ser um cisto ou algo
comum, mas precisamos investigar. Me tranquilizou por um lado e me intrigou por
outro. Exame, sim! Mas ele fez uma cara de preocupado, tentando disfarçar. Não
me convenci!
Fui fazer o exame de ultrassonografia e não perdi tempo: perguntei ao médico
o que poderia ser. Ele disse: converse com seu médico, mas indica que há um
tumor no testículo direito.
Fez
questão de me tranquilizar dizendo que era mais comum do que parecia e que não
deveria me preocupar. Imagina!!!!
Dizer para uma pessoa
ansiosa para não se preocupar é o mesmo que encher um copo de água cheio!!!!!!
Minha mente começou a imaginar
milhares de coisas, e me abalei. Levei imediatamente o exame a meu médico na
esperança de ele me atender no momento em que entrei em seu consultório, mas
ele não estava lá. A secretária, muito querida, disse que o doutor iria me
ligar.
Que espera! Ele me ligou e pediu que fosse novamente ao consultório.
Corri e conversamos: ele pediu novos exames, me deu a notícia fatídica e já me
preparou a cirurgia.
–– Como assim doutor?
– Você
precisa tirar isso daí para não se espalhar em todo seu corpo, o mais rápido
possível. Mas, não se preocupe, faça novos exames e venha aqui!
Jesus!!!
Cirurgia! Retirar! Logo um testículo!! E como eu fico sem ele?? Ou melhor, como
eu fico com essa coisa dentro do meu corpo me assaltando a saúde a qualquer
hora do dia? Rápido?? Por que rápido??
Fiquei muito triste e apavorado. Resolvi contar a minha esposa e família
o que estava acontecendo e a reação de todos foi: meu Deus! E agora! Acabou eu
tendo que tranquilizar eles. Imagina?? Logo eu??
Fiz o segundo exame que confirmou o diagnóstico e fomos para a marcação
da bendita cirurgia. Para quem não me conhece, já fiz, até a época, cinco cirurgias. Já era craque de hospital. Mas confesso que o medo estava grande! Em
pouco tempo tive que me convencer a fazer a bendita cirurgia e tirar o câncer
(se não tivesse se espalhado), daí quimio, radio e tudo mais.
Perguntei ao médico se não poderia saber antes que tipo de câncer seria:
benigno ou maligno. Eu já estava nervoso mesmo! Pesquisei mais ainda e vi que
tinham dois tipos: o que, quando descoberto seria avassalador e outro mais
brando. E agora, piorou!!! Ele me disse que só na biópsia teríamos a
confirmação!!! Aiaiai!!
Foram momentos
da minha vida em que comecei a questionar tudo que já tinha feito até aquele
dia e o que poderia fazer com o tempo que me sobraria!
A realidade estava em minha frente! Mesmo sendo espírita, sou gente, e
tenho minhas dificuldades! Tenho que dizer: eu amo a vida e aquela notícia e
situação foi como um balde de água fria! Encarei!
A cirurgia ocorreu em 45 minutos, muito tranquila e eficiente. Entrei às
8 da manhã e saí as 16h30 em razão da reação de meu corpo à anestesia.
Cheguei em casa aliviado, pois tinha retirado a causa da minha aflição e
apavoramento. Mas, ainda surgia a dúvida: que tipo de câncer seria e o que
deveria fazer agora?
O exame de biópsia demorou longos e sofríveis 15 dias. Quando ele
chegou, fui buscar no laboratório e, pimba: era um tipo de câncer maligno, raro
e que não se espalhava com facilidade!!! Ufa!!! Acalmei!! Mas o médico
precisava me dizer: o que vem agora? Levei o exame com toda empolgação. Ele examinou a cirurgia, o corte
acima da área genital, e, olhado o exame me disse:
Graças
a Deus resolveste o problema no começo. Naquele momento ele me deu um elogio:
que bom que vieste logo, porque a maioria deixa a coisa aumentar e fica pior.
Sorri aliviado!
Ele me explicou que deveria ir no oncologista e que pelas características
do câncer, provavelmente estaria curado. Fui ao oncologista e ele me explicou
que durante 10 anos devo fazer exames regulares e acompanhar calmamente, sem
preocupação, a minha saúde.
Fiz os exames e não deram em nada. Ou seja: sem quimio, sem radio e sem
stress! Estava livre mas tinha que acompanhar!
Analiso minhas reações e percebo o quão desconhecia essa doença, o
tamanho do medo que eu tinha dela e, principalmente, o efeito que essa
palavrinha tem na vida de todo mundo, pois, no final das contas, câncer não
seria algo a aparecer em alguém com 43 anos.
Durante
esse caminho percebi e aprendi que não tem idade, sexo, cor, raça, posição
social, religião ou qualquer bobagem que possam inventar. Quando o câncer vem
ele não quer saber de nada!
Seja resiliente e aprenda com seu sofrimento. Mais ainda: ensine as
pessoas a lidarem com o delas. Escreva sobre o que você passou a fim de que
alguém como nós tenha mais coragem em enfrentar o indefinível, o improvável.
Não se
esconda de si mas mostre a todos a sua capacidade de enfrentar os problemas e,
que todos tem essa força! Agradeço a minha esposa, minha família, meus médicos
e, principalmente a Deus, por me propor uma lição tão rica e sábia. Aprendi o
valor da vida!!
O mais legal de todo essa processo foi a reação do meu filho quando
soube da notícia. Com sua inteligência e perspicácia ele disse: Pai, agora tu
virou “monobola”. Vivi de rir!! Ele processou a notícia com ironia e bom
humor!! Muito legal!! Toda hora me chama de “monobola” kkk!!
Respeito muito o trabalho da Liga Feminina de Combate ao Câncer, ainda mais
durante o Outubro Rosa, uma conquista
dessas mulheres corajosas e persistentes! Um viva a elas!!!
Me inspiro em meu amigo Aurélio Decker que disse em programa da Rádio ABC 900, Ponto e Contra Ponto, que foi num
exame promovido pela Liga que descobriu
seu câncer, tendo a coragem de compartilhar cada passo.
Peça ajuda que o mundo te
ajuda de bom grado! E não tenha medo de enfrentar esse desafio, pois ele pode
ser menor do que você imagina e maior do que você pode e deve aprender!
Aprenda! Ensine! Repasse a
lição e conforte um coração! Feliz Outubro Rosa!! Ame a vida e lute para
mantê-la!!
César Silva é professor,
consultor, mentor, articulador, inspirador de rumos, empreendedor e empolgado
com causas agregadoras.
Head of Business @cesarsilvasimplesmente, Professor/Tutor Externo Uniasselvi,
Conselheiro Fenac S.A.
Artigo publicado no portal www.martinbehrend.com.br . Disponível em www.cesarsilvasimplesmente.com.br.
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