Alegando um novo obstáculo, uma nova legislação, um
novo mecanismo, uma nova sistemática, um novo entendimento, uma nova parceria, a Prefeitura de Novo Hamburgo segue sem avançar para concluir a licitação do novo contrato do transporte coletivo municipal.
Não se obteve êxito no governo Tarcísio Zimmermann (PT), que
tentou, mas o assunto parou na Justiça; não avançou nos quatro anos de Luis
Lauermann (PT); e agora segue empacado no segundo ano de Fátima Daudt (PSDB).
O edital chegou a ser lançado pelo governo Fátima Daudt, mas
– surpresa! – foi cancelado pelo Executivo em janeiro deste ano. Sabe-se lá
quando será apresentado novamente.
Como não consegue colocar em prática situações urgentes e emergenciais,
que deveriam ser exigências do novo contrato, a Prefeitura e as empresas ficam
fazendo remendos. Renovam uma parte da frota aqui, colocam acessibilidade
acolá, ajeita uma coisa ali, e assim seguem os puxadinhos do transporte
coletivo. Lembram da passagem a R$ 3,14 e toda confusão no troco? Quanto
retrocesso!
Recentemente, houve mudanças no itinerário de algumas linhas.
Já seria uma antecipação de alterações que estão previstas na nova licitação. O
Portal Martin Behrend destacou uma antiga reivindicação de passageiros: “Alteração
festejada: linha de ônibus passa a atender dois hospitais e os dois campus da
Feevale” – está no link http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i… Teve gente bem satisfeita e elogiando. Mas teve trabalhador prejudicado.
Como tudo é feito sem o necessário planejamento, faltou dialogar, ouvir,
conversar. Com isso, fizeram as alterações e centenas de passageiros reclamaram. É
claro que, assim como na vida, mudanças geram transtornos e impactos. Isso é
inevitável. Agora, poderiam ser minimizados. Até porque, os sites das empresas ficam abaixo da média em termos de tecnologia e inovação. O da Viação Futura é uma vergonha de tão pobre em informações – nem sempre corretas.
Recebi mensagens de leitores se queixando de mudanças nas
linhas do Kephas, Vila Kroeff, Santo Afonso, Vila Nova, Operário, entre outras.
Em quase todas mensagens, as pessoas lamentaram que não foram consultadas. A
falta de planejamento foi comprovada pelo fato de a Prefeitura voltar atrás quando os moradores
externaram suas indignações.
Uma leitora escreveu ao Portal pedindo ajuda: “Sou aluna
da Feevale e era usuária da extinta linha que fazia CI-CII. Quando vi a notícia
no teu portal sobre o ajuste da linha Vila Nova para atender a essa demanda até
que fiquei satisfeita. Entretanto, ao contatar a Hamburguesa para saber
horários de ônibus, recebei também a informação de que a tal linha Vila Nova
não é circular, ou seja, desativaram uma linha que tinha demanda e não
substituíram, deixando as pessoas desassistidas. Gostaria de contar com
teu apoio, pois já fiz contato com a Prefeitura, com a Hamburguesa e com a
Feevale e ainda não recebi nenhum esclarecimento. A empresa de ônibus,
inclusive, ficou com meu contato para dar um retorno sobre uma possível
implementação da linha circular em UM dos horários.”
Esse é apenas um dos relatos. Não consegui junto à Prefeitura uma resposta definitiva sobre o que dizer para essa passageira – ela deve usar táxi,
Uber? Ou, como diz a propaganda, senta e chora?
Como eu não tenho provas, apenas convicções e indícios, só tenho capacidade de afirmar: forças poderosas impedem a nova licitação. É um
poder real – ou poderes reais, muito reais, se o leitor compreender o
trocadilho. Enquanto isso, vamos caminhando para uma década de remendos e
puxadinhos no transporte coletivo hamburguense.
























