Na manhã deste domingo (17), acordei com uma mensagem do amigo Ingo Fleckner, da cidade de Bochum, na Alemanha. Conheci este alemão na década de 1990 quando joguei Interclubes Alemão de Tênis. E a amizade permanece até hoje.
Escreveu o Ingo: “Hi Martin, ich habe heute Morgen gelesen wieviele Neu-Infektionen es innerhalb von 24h in Brasilien gibt. Schlimm….ich hoffe es geht euch allen gut! Bleibt gesund! Liebe Grüße an Euch!
Traduzindo: “Olá Martin, li esta manhã quantas novas infecções existem no Brasil em 24 horas. Ruim …. Espero que você esteja bem! Mantenha-se saudável! Saudações para você!”
Schlimm = Ruim.
Pois é, caro Ingo, está ruim e vai ficar ainda pior. Se tá Schlimm, vai ficar Schlimmer (pior).
Expliquei também a ele que no Sul, felizmente, estamos bem, com a situação controlada, mas todos em alerta, com máscaras, distanciamento controlado. E mostrei a ele num mapa as regiões mais preocupantes e com mais mortes. Um Brasil sozinho são vários países da Europa juntos, então, é preciso lembrar o pessoal de fora.
Mesmo assim, são mais de 15 mil mortos no Brasil. Estamos no ingrato Top 10 dos países com mais mortes e no Top 5 de mais casos confirmados pela Covid-19. E estamos subindo neste ranking – péssima notícia.
Nesta semana, conversava com meu irmão Tomás, que também mora na Alemanha, e quando soube que o Brasil terá três ministros da Saúde no período de um mês no meio da maior crise sanitária do planeta das últimas décadas, ele escreveu: “Um absurdo! Falta de respeito ao povo!”. Segundo o Tomás, muitos conhecidos repetem a pergunta: “O que está acontecendo com o presidente do Brasil?”
A propósito: a Alemanha se tornou uma referência mundial pelo baixo número de mortes diante da alta contaminação, graças a um programa de exames de larga escala. No país, foram mais de 8 mil mortes já registradas, sendo que o país está liberando várias atividades após conseguir mapear e testar dezenas de milhares de alemães.
Converso com amigos e familiares que trabalham com comércio exterior. Antes de falar em negócios, os clientes querem saber se todos estão bem e com saúde, como está a situação no país, já que as notícias que chegam lá fora assustam.
REPORTAGENS E AVALIAÇÕES
As informações sobre o Brasil no exterior são péssimas. E isso vai representar mais prejuízos, pois investidores se assustam com a falta de comando do presidente Jair Bolsonaro e a incapacidade de o país em se organizar. Ninguém investe pesado num local com tantos riscos.
E, no meio da pandemia, ainda tem as intrigas políticas, trocas de ministros, políticos com histórico de corrupção e de defesa de corruptos ganhando cargos no governo federal. Tudo isso agravando o quadro.
Em reportagem da revista Veja, o embaixador Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente, afirmou: “Já não temos mais nem os resquícios da boa imagem que tínhamos no passado. A humilhação internacional do Brasil é tão grande que é considerado no exterior como um país governado por malucos.”
Na mesma reportagem, o embaixador Marcos Azambuja, ex-secretário-geral das Relações Exteriores e ex-representante do Brasil na Argentina e na França, avaliou: “O Brasil se afastou de si mesmo, de sua maneira de buscar diálogo e consenso no cenário internacional. É um país mais perigoso”.
Em reportagem do Correio Braziliense, André Reis, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), analisou: “Nunca, antes, o país esteve tão isolado diplomaticamente”.
Na mesma reportagem, Juliano da Silva Cortinhas, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), considera lamentável a postura do presidente Jair Bolsonaro “O comportamento diante de um assunto de vida ou morte dos cidadãos se baseia nos achismos e visões incorretas do mundo. Isso pode trazer consequências muito graves”.
Ainda precisamos lidar com a Covid-19 e as milhares de mortes que teremos. Mas já é bom ir se preparando: a imagem do Brasil no exterior piora a cada dia, com reflexos no turismo. São novos problemas – evitáveis! – que teremos no processo de recuperação.
Schlimm!
























