No dia 30 de setembro, a Associação dos Deficientes Físicos
de Novo Hamburgo (Adefi-NH) terá evento para marcar o aniversário de 34 anos de
existência. Contudo, não há muitos motivos para celebrar. A entidade, que
atende deficientes físicos e mentais de baixa renda, não sabe de onde tirar
recursos para os próximos meses. No momento, voluntários, diretoria e
familiares de usuários estão pegando recursos do próprio bolso para manter as
atividades. Mas esse tipo de colaboração tem os dias contados. “É muito triste
esse momento. É claro que faremos de tudo pra não fechar as portas, mas não
podemos negar que a situação é crítica”, conta o empresário e presidente,
Alexandre Schramm. A entidade está desde maio sem suporte financeiro do
município. São cinco meses.
São duas situações que impactam na falta de recursos para a
Adefi-NH seguir com seu trabalho reconhecido há mais de três décadas. A
entidade vinha recebendo, historicamente, recursos da Prefeitura para aplicar
no atendimento. Até o começo de 2016, era pouco mais de R$ 3 mil por mês. No
primeiro semestre houve o período para a renovação de contrato. A associação
enviou a documentação à Prefeitura. Algumas semanas depois, contudo, foram
informados que tinha documento equivocado. “O problema é que nos avisaram em
cima da hora. Não tinha mais o que ser feito. Se nos falassem com antecedência,
poderíamos ter revisado e ajustado a situação. Só que no momento que
comunicaram o problema, o prazo estava esgotado”, lamenta Schramm. “Era só
terem nos avisado antecipadamente que iríamos corrigir”, resume.
A outra situação envolve o subsídio da Câmara de Vereadores.
É um valor de R$ 24 mil encaminhado por alguns parlamentares, ainda no ano
passado, mas que até o momento não foi liberado pela Prefeitura. “Sempre dizem
que está num local diferente. Até agora, contudo, o valor indicado pelos
vereadores não foi repassado”, conta o presidente. É um caso muito parecido com o das Meninas Cantoras de Novo Hamburgo. Elas foram contempladas com R$ 30 mil em 2015,
mas o dinheiro sumiu na Secretaria Municipal da Cultura. Desde janeiro, as
Meninas Cantoras esperam esse recurso, que provavelmente foi engolido pelo
governo do prefeito Luis Lauermann (PT). O Portal produziu reportagem no link: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Recentemente, a Prefeitura divulgou a realização, por meio
da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Pessoas com Deficiência (CPPD),
de uma oficina de fuxico na Adefi. Segundo material oficial divulgado pela Prefeitura,
“o objetivo é melhorar a autoestima das participantes, por meio da prática e do
aprendizado de diferentes fuxicos de forma criativa.” Autoestima? Como assim? Seria
oportuno o governo repassar recursos para atendimento dos usuários de baixa renda para,
quem sabe, falar em autoestima.
A Adefi realiza pequenos eventos como bingos, chás e almoços
para arrecadar recursos complementares. Além disso, recebe mensalmente uma cota
de produtos do Banco de Alimentos da Região do Calçado (Barc). Contudo, como
existe um gasto significativo para garantir um atendimento de qualidade, são
valores insuficientes. O local possui sala de informática, consultório dentário
– mas sem dentista voluntário –, refeitório, sala de fisioterapia, sala de
convivência, entre outros ambientes. “Recebemos uma correspondência da Câmara
assinada pelos vereadores Antonio Lucas (PDT) e Enio Brizola (PT) em relação ao
nosso aniversário de 34 anos. É bacana lembrarem da data, mas mais importante
seria ter recursos para seguir atendendo”, reflete o presidente.
Por acolher pessoas com deficiência e de baixa renda,
deveria receber uma atenção ainda mais especial do Poder Público. Não é o que
vem ocorrendo neste ano, quando o governo Luis Lauermann tranca verbas que
poderão representar o fechamento da Adefi e o fim de um projeto que abriga, por
exemplo, cadeirantes, usuários de muletas e pacientes se recuperando de AVCs.
A reportagem do Portal Martin Behrend entrou em contato com
a Prefeitura de Novo Hamburgo. Enviou e-mail para cinco integrantes da equipe
de comunicação fazendo questionamentos sobre a liberação de recursos e qual,
afinal, o papel da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Pessoas com
Deficiência (CPPD). Não houve qualquer retorno por parte da Prefeitura com
esclarecimentos aos hamburguenses.

























