Ninguém imaginaria que o último dia de maio de 2021
seria de grandes surpresas.
Até a Conmebol, entidade que só pensa em dinheiro e
deixa de lado a seriedade quando o assunto é desenvolvimento responsável do
esporte, anunciou que o Brasil seria a sede da Copa América após dois países –
Colômbia e Argentina – vetarem a realização do torneio em seus domínios.
Como
as negociações para realização da competição estão fechadas, os contratos milionários
– ou até bilionários – estão assinados, seria muito prejuízo para riquíssima
entidade pensar na preservação de todos e cancelar a competição.
A pandemia ainda descontrolada no Brasil, o número
expressivo de casos e a grande quantidade de mortes nem foram pauta na hora que
o presidente da entidade fez contato com dirigentes e políticos brasileiros.
E isso preocupa e entristece pessoas que, como eu,
são apaixonadas pelo esporte, mas também pela vida, e pela vida em primeiro
lugar. Minha família foi vítima da doença, perdi familiares que não tiveram a
chance de serem imunizados com a vacina para tentar vencer o vírus.
Ser sede da Copa América é aumentar de forma
significativa a circulação de pessoas no país – que por sinal não controla
muito bem suas fronteiras desde o início da pandemia – e em cidades já
saturadas em suas instituições de saúde.
Neste momento não se trata de futebol, de magia do
esporte, de entretenimento do público. Se trata de responsabilidade, de valor
pela vida, de respeito com profissionais que se dedicam diuturnamente para
salvar vidas. Não é o momento, não existe necessidade desta competição
acontecer.
“Ah, mas o Brasileirão, os estaduais, a Copa do Brasil estão acontecendo”. Sim, realmente estão, mas não quer dizer que mais um
torneio possa acontecer.
Já escrevi, ainda em 2020, aqui neste espaço, sobre
a retomada das atividades esportivas, mas o que quero frisar aqui é o aumento
significativo que a Copa América geraria na circulação de pessoas e na
possibilidade de difusão do vírus e até de novas variantes. É possível evitar, até
porque nenhuma confederação precisa do dinheiro desta premiação.
Por favor, dirigentes, deixem seus interesses de
lado. Pensem na vida, pensem nas pessoas, valorizem os profissionais da saúde.
Deixem o bom senso fazer o gol de placa e cancelem essa competição.

























