Cem por cento! Temos tanta
consciência de que tudo atualmente e no futuro terá cada vez mais altos graus
de incerteza que continuamos a decidir como se a segurança fosse certa, em
qualquer situação. Não deixa de ser uma forma de proteção que nos fecha ao
novo, ao aprendizado!
A zona de conforto mental e
física, por consequência, é aquele lugar onde buscamos a sensação de segurança,
domínio e familiarização. Em poucas palavras, o canto quentinho que nos protege!
Em várias situações nos
comportamos assim, principalmente, quando ameaçados ou perdidos, fora de
contexto. Voltamos ao “status quo”! Mas há aqueles que decidem enfrentar o medo,
entrando na sua zona de atuação.
A sensação de impotência, o
medo da mudança, a insegurança e a influência de opinião alheia participam
muito deste momento. Não se pode crescer sem enfrentar uma jornada de mudança,
iniciando dentro de si.
A incerteza é a reação nossa
ao externo, portanto, tarefa nossa!
Quando resolvemos ampliar a
zona de conforto e enfrentar os medos iniciamos em uma nova zona: a de
aprendizagem. É nesse momento que confrontamos os desafios, enfrentamos os
problemas e desenvolvemos novas habilidades. É um momento em que a maturidade se mostra e
começam a aparecer o que temos de talento e de essência de forma mais clara e
significativa.
Fundamental separar o que é
essência do que é propósito. A essência diz respeito ao nosso Eu Superior,
aquele mais amplo e que dá origem a tudo o que somos.
O propósito é a forma como
vamos direcionar essa essência, ou seja, o propósito não é tudo, é uma
expressão da essência.
Após muitos aprendizados e a
descoberta que ele será eterno, mais cedo ou mais tarde todos chegaremos lá,
com curiosidade, disciplina, dedicação, análise e reflexão, vamos ao encontro
da Zona de superação. Onde nossos desejos e sonhos, através de objetivos e
metas nos proporcionam nossas conquistas e ciclos virtuosos de crescimento.
Esse conceito, adaptado de Martha Gabriel Phd, relaciona a pirâmide das
necessidades de Maslow com nossas essências.
Interessante perceber que a
cultura oriental traduz esses conceitos há séculos, e, um deles, é o Ikigai. Em
seu livro Ikigai, Ken Mogi, cientista japonês na Sony Computer Science
Laboratories, o conceito se expande: sua razão de viver; é o motivo que faz
você acordar todos os dias.
Ikigai faz uma relação entre
o que você ama, o que você é bom, aquilo que você pode ser pago e o que o mundo
precisa. Desenvolvendo a partir daí sua Paixão, Vocação, Profissão e Missão,
facilitando a construção de seu propósito, tão fundamental nas incertezas. A
análise dessas intersecções e um profundo conhecimento de si, gera um propósito
autêntico, realmente conectado intimamente.
A velocidade de mudança no
mundo e a velocidade das informações transformaram a incerteza em algo certo.
Parece um paradoxo! E é! É um dos desafios a serem enfrentados pelo ser humano
nesse novo momento de progresso.
Aliado a incerteza está o
risco e a inovação. Não há inovação sem risco, sendo que fomos treinados a
buscar a segurança em todos os campos.Viemos de uma educação linear e matemática,
desconsiderando o conceito de múltiplas inteligências desenvolvida a partir da
década de 1980 por uma equipe de Investigadores
da Universidade de Harvard, liderada pelo psicólogo Howard Gardner, buscando
descrever melhor o conceito de inteligência.
Segundo o estudo temos vários
tipos de inteligências: lógica matemática, linguística, musical, espacial,
corporal-cinestésica, intrapessoal, interpessoal, naturalista e existencial.
Como todo estudo, há autores que não concordam plenamente. O que é natural,
gerando incertezas, ou melhor, curiosidade em pesquisar mais!
A própria ciência se baseia
na incerteza e na problematização da vida. A medicina é um grande exemplo
disso, além de todos os campos de pesquisa e análises humano, e futuramente,
artificial. Lidar com a incerteza de forma permanente já faz parte de nossa
rotina diária, mas não percebemos.
Cultivar o simples e a
clareza nos permite enxergar o óbvio. Deixo três perguntas que lhe ajudarão a identificar
a permanente incerteza em nossas vidas:
Será que sobrevivo mais um
dia na Terra?
Posso ser mais feliz do que
sou?
O que realmente é de nossa
propriedade no Mundo?
A única certeza é de que não
nos conhecemos ao ponto de lidar mais abertamente com as incertezas de todos os
dias. Em realidade, a tecnologia amplificou e exponencializou muitos dos
dilemas humanos deixados de lado até esse momento. É a hora de resolvermos
isso! O mundo abre cada vez mais possibilidades e abundâncias! Tem certeza?
César
Silva é professor, escritor, consultor,
mentor – Head of Business @cesarsilvasimplesmente, Professor/Tutor Externo IERGS/Uniasselvi, Conselheiro da Fenac S.A.
Artigo publicado no portal www.martinbehrend.com.br . Disponível em www.cesarsilvasimplesmente.com.br e www.inspirandorumos.com.br.

























