Évora estava perplexa. Queria acessar o vazio que experimentou em frente
ao espelho, mas não sabia como.
Ela queria explorar aquela sensação
provocada por um dilema familiar e, conjuntamente, respeitar seu tempo
interno.
Começou a pesquisar sobre o tema: vazio, vazio existencial. A palavra epifania apareceu.
Ela se deparou com o seguinte conceito: na literatura, o termo foi popularizado por escritores como James Joyce.
Ele usou “epifania” para descrever momentos em que um personagem tem
uma realização súbita e profunda. Esse uso literário ajudou a cimentar o
termo em nosso vocabulário contemporâneo para
descrever momentos de insight e clareza.”
– Eu tive uma epifania. Ela pensou.
– Como repetir a dose e explorar este vazio?
Sua natureza feminina era prática e inquisitiva. Só estava satisfeita
quando recebia uma explicação plausível a sua razão ou que lhe trazia
conforto emocional.
Sua intuição era muito aguçada. Ela confiava muito em si. Ela queria um caminho para acessar novamente o vazio, sem perder muito tempo.
Naquela noite, ela resolveu ir a um “Gastropub” com as amigas. Diversão, conversas e muitas risadas. Após o jantar e com um leve torpor no ambiente, Évora inquiriu:
– Alguma de vocês já teve uma epifania?
– O que é isso, perguntou Rosana, com estranheza.
Évora explicou. Aproveitou para contar o que havia acontecido em detalhes. Mariana, sua melhor amiga, só observava. Percebia como aquele assunto “mexia” com Évora. E falou:
– O que está lhe intrigando, realmente?
– O fato de eu não saber como lidar com o vazio. Sempre tive soluções
para tudo de forma instantânea, mas, nesse caso específico, não sei o
que fazer, como acessar e como explorar esta situação.
– Entendi, disse Mariana.
– Acho que tenho uma solução para você. Só não sei se você vai gostar.
– Lá vem você de novo com essa ideia de que sabe como eu penso.
Todas gargalharam, O tom de estranheza continuava. Évora sempre fora
uma mulher decidida, independente e reservada. Os olhares corriam a mesa
na velocidade da luz. A meta era entender o que estava acontecendo. Mariana teve coragem e falou:
– Você precisa aprender a meditar. Fiz Yoga, estudo sobre o assunto. A meditação me ajudou muito e ainda me ajuda em várias circunstâncias da minha vida.
– Você quer que eu arranje tempo para isso?
– Sim. Como eu disse: você não ia gostar. Volto a afirmar: a prática diária de meditação amplia sua consciência e vai te ajudar a acessar seu corpo e mente como nunca acessou.
– Como assim?
– Quando meditamos e tornamos esta prática um hábito diário, ocorrem mudanças em nossa relação conosco.
É como uma reunião privada somente com nossa presença.
– É um mergulho profundo à nossa essência. É um momento de silêncio, vazio e autoconhecimento. Acredito que é um caminho a você acessar novamente o seu vazio “intrigante”.
– Já está inventando moda. Eu não vi nada. Era vazio.
– Você que pensa, querida. Sua curiosidade deve estar nas alturas, se bem lhe conheço…kkk
– Você é uma danada. Não consigo esconder nada de vocês. Por isso adoro todas!!!!
– Nós também, em uníssono.
Rosana estava em polvorosa. Ela disse:
– Você está muito estranha hoje. Insegura com alguma coisa????
Hum….vamos precisar de outro jantar para explorar o dito “Vazio”.
As risadas tomaram conta do ambiente. Évora já começou a pesquisar sobre
meditação no mesmo momento. Sua curiosidade era impetuosa, assim como
ela. Um novo mundo se aproximava… Será?
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
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