Cabelos
brancos são sempre um componente natural da solidão, um próximo estado de
pré-depressão anunciada. Na verdade não fazem parte de um quadro desesperador,
sem solução, uma avant-première do suicídio, mas um item até que notável e
bastante preocupante nas atuais
estatísticas de especializados setores das relações humanas.
Mas, como em
tudo na vida, nada é absolutamente definitivo e tudo sempre se apresenta com
alguma coisa que antes de mais nada é altamente positiva. Revela sempre o lado
bom da existência, expõe-se uma enorme alegria da vida e suas tantas vezes prazerosas constatações.
Constatamos,
entre outras coisas, que estamos em tempos de cada vez maiores amplitudes nas relações humanas, nos seus diversos
valores. Entre estes valores, sobressai-se notavelmente a conduta da “nova
mulher” especialmente no seu empoderado relacionamento com os homens,
conquistando importantes avanços sociais e ocupando decisivas posições no mundo – pelo menos no mundo ocidental.
Mas como tudo
neste mesmo mundo tem sempre uma causa e a correspondente consequência, uma
destas alterações de conduta social é a
notável instabilidade do casamento. Não como entidade legal, mas sim como
relação estável entre um casal. Os jovens já relutam em legalizar situações, e
as uniões outrora consagradas e estáveis começam a apresentar fissuras cada vez
maiores. É claro que esta situação acontece sempre depois de um período mais
longo de convivência e é marcado por
condutas bem caracterizadas: é quando o homem deixa de ter paixão por sua
mulher e a mulher deixa de ter admiração pelo seu homem.
No caso da
mulher, não se trata de perder o respeito pelo seu homem – pois uma união por
medo ou obediência é absolutamente intolerável – mas não é mais aquela parceria
que advém do “cabeça do casal” (ele proverá, o macho me protege), não há mais
necessidade disto.
E no homem,
apaga-se aquele desejo, aquele fogo ardente, sobrou um reles braseiro, a rotina
extinguiu a tesão. Então, as
raízes desta repentina falta de admiração dela ou indiferença dele, não estão
especificamente em nenhum dos dois, não se sabe o que é causa ou consequência, está
acontecendo e pronto. Constata-se!
Por outro
lado, quando esta situação passa a vingar há sempre o envolvimento familiar, filhos
netos, noras, parentes e outros afins, e os dois personagens centrais, mesmo
vivendo sozinhos, passam a viver sozinhos juntos numa completamente falsa
relação. Mas é absolutamente certo que “alguma coisa” foi perdida ao longo do
caminho, e pode ser reencontrada se for
procurada com alguma atenção e boa vontade, pois a época é até bastante
propícia.
Sugere-se pois
aproveitar o período de festas e recomeçar do ano para procurar encontrar esta “alguma coisa” considerada
perdida mas talvez, até quem sabe,
recuperável. Não custa nada tentar!

























