Hoje foi um Dia das Crianças diferente para meus filhos. Com
o cancelamento de dois eventos previamente agendados em função do risco de
chuva, foi necessário replanejar o feriado. E aí fiz o convite para Max e
Theo: “Vamos colher amoras às margens do Arroio Luiz Rau?” A resposta veio na
hora: “Siiimmmm”. E assim partimos em direção ao arroio, que cruza perto da
nossa moradia.
As margens do Luiz Rau reúnem cerca de 20 amoreiras. Já
fiz reportagem com um ex-secretário do Meio Ambiente sobre algum risco em consumir
as frutas do local – há pesquisas, mas nada comprovando como um risco à saúde. O
que é pior para nosso organismo: frutas, legumes e verduras turbinados por agrotóxicos
e pesticidas ou amoras envoltas nos gases dos veículos?
A colheita foi farta:
mais de dois quilos! Chegando em casa, água corrente, uma boa lavada nas frutas e
uma fervida antes do preparo de saborosa sobremesa pela tia Irmengard: caldo de
amoras adocicado com um azedinho ao fundo. Delicioso! Para acompanhar, sorvete.
Um cardápio e tanto fruto do esforço pessoal da dupla. E ainda tem uma safra de doces e geleias pela frente.
Foi um dia especial. As mãos e as roupas da duplinha ficaram
manchadas do caldo das frutas, expliquei sobre o “rio” – que era local de
diversão dos avós deles, mas que hoje estava muito poluído –, destaquei como
Deus é generoso em ofertar alimento gratuito através das árvores frutíferas, comentei
da riqueza do nosso solo e demos muitas risadas imaginando como seria
escorregar e cair no arroio. Imagina o sermão que teríamos de ouvir da mamãe.
Depois da colheita, fomos até a Praça Alberto Albano Kern,
no outro lado da rua, igualmente no Bairro Rio Branco, e armamos um piquenique: biscoitos, requeijão, chá, bergamota e chocolate.
Eles brincaram na pracinha, que tinha alguns brinquedos quebrados. Mas, enfim,
criança não se importa com esses detalhes: andaram de balanço, no gira-gira, duelaram na gangorra e subiram no trepa-trepa. Enquanto fazíamos um lanche, vimos uma caturrita decolar dos fios
de energia em que estava em direção a uma ameixeira localizada junto à ponte da
Avenida Nações Unidas com a Rua Cristóvão Colombo. O pássaro arrancou uma
ameixa e veio repousar bem em cima de onde estávamos, num galho de árvore da
praça. Ali, vimos a caturrita se refestelar com a fruta. Expliquei como era
importante termos árvores preservadas para os pássaros terem onde se alimentar.
Foi um Dia das Crianças especial. À moda antiga. Sem grandes tecnologias.
Colocando a mão na massa. Aproveitando as coisas boas e simples que Novo
Hamburgo oferece: pracinha, árvores frutíferas e a natureza que insiste em dar
sinais do quanto precisamos dela. Chegamos em casa e fomos direto pro banho. O
Max e o Theo só tinham uma questão a fazer: “Quando vamos colher amoras
novamente?”

























