E disse o Senhor Deus: “Não é bom que o homem esteja só,
far-lhe-ei uma companheira que esteja como que diante dele”, (Gênesis, 2.18).
E assim criou-se a companheira chamada mulher.
Estavam tranquilos no Jardim do Éden, que é como se chamava
o Paraíso, mas a companheira não se conteve, comeu a maçã oferecida pela
serpente e ficaram conhecendo o bem e o mal.
Então, Adão acasalou com a companheira – viu que era bom –, tiveram
filhos e bem, todo mundo sabe no que deu e está dando até hoje este
companheirismo multiplicado.
Mas o que Ele não previu é que esta função de companheira se
transformasse ao longo dos anos e milênios, desembocando numa eficiente e mui
saudável concorrência.
De fato, a evolução social, o crescimento cultural e
técnico, a independência da mulher, permitiu-lhe a conquista de um novo espaço,
ampliando sua atuação para além das rotineiras e consagradas atividades
domésticas, quer dizer, multiplicou-se através da sua capacidade de luta e do
seu imenso poder de renúncia e adaptação.
Pois então que a partir da secular atividade agrícola é
notavelmente comprovada a força da mão de obra feminina, praticamente igual a
do homem. Mas esta atuação espraiou-se muito mais e desde a sua primeira
presença na área administrativa dos negócios até então uma atividade exclusivamente
masculina, ela saltou para as linhas de produção no interior das fábricas,
conquistou espaços e chegou definitiva e inexoravelmente ao topo da área de
comando, das tomadas de decisão, da imposição de opinião, da conduta, da
cultura psicossocial dos grupos em todos os campos, em todos os sentidos da
vida.
Quer dizer, a mulher transformou-se, evoluiu da figura
divina de companheira e está aí a definitiva e consagrada presença da
concorrente. Certamente é este novo perfil que compõe o seu atualmente tão
badalado empoderamento.
E não será nenhum grande disparate ou desbragada epifania imaginarmos
a chegada da mulher ao comando do mundo. Tenhamos os homens a humildade de
admitir, certamente ficaria um mundo bem mais meigo e carinhoso e elas
assomassem ao poder de tudo.
Em todo caso, sei não, mas acho que dá para arriscar, quem
viver, verá!

























