A médica Mônica Mazzurana, 43 anos, e o arquiteto Gustavo Sorgetz Benetti, 42, são gramadenses da gema. De famílias envolvidas com a comunidade de Gramado há décadas.
Há alguns anos, o casal reside em Santos, no litoral de São Paulo. E foi na cidade paulista que eles vivenciaram – juntos – uma das experiências mais fortes dessa caminhada a dois: eles foram infectados pelo novo coronavírus.
O bom é que essa história tem um final feliz. Mônica e Gustavo estão saindo da quarentena e do isolamento em razão da Covid-19. Curados!
Neste domingo de Páscoa (12), a médica gramadense, que trabalha no Hospital Guilherme Álvaro (HGA), em Santos, escreveu o relato de como foram esses dias angustiantes. Confira a seguir:
“É
Páscoa, é ressurreição e essa data nunca teve um significado tão real para nós. Agradecemos a Deus pelo nosso renascimento, o GUSTAVO e EU estamos CURADOS da COVID-19.
Hoje é o nosso último dia de confinamento, dos famosos 14 dias
que TODOS que têm essa doença precisam ficar 100% isolados dentro de casa, e nós também ficamos.
E como gratidão a Deus por tudo
que aprendemos e vivemos, compartilhamos com vocês essa experiência.
Como fizemos o diagnóstico?
Eu comecei com uma leve dor
garganta associada a um pouco de tosse e uma sensação febril ao final da tarde,
depois veio um cansaço enorme. Parecia que um caminhão tinha passado por cima
de mim, só queria dormir… o cansaço era incontrolável. Foi difícil
acreditar que eu tinha a COVID–19, mas como não sou de sentir cansaço, achei
melhor conversar com meus médicos e colher o exame. Fiz a coleta do exame e
o resultado veio POSITIVO para COVID-19.
Como entender tudo isso, logo eu que ajudei a organizar um
hospital inteiro para viver essa guerra… que estava me cuidando tanto….
álcool gel e água e sabão o tempo todo… foi aí que entendi que o vírus é
muuuito mais esperto do que nós e que por mais que a gente se cuide,
infelizmente alguns de nós, dos profissionais da linha de frente vão se
infectar…
Depois do choque de ver o meu
resultado positivo, logo pedi o exame para o meu marido, que naquele momento
ainda estava assintomático.
Que sofrimento pensar que eu
poderia ter passado pra ele o famoso vírus. E foram cinco dias intermináveis. Eu
fiquei totalmente isolada dentro do nosso quarto e ele no restante do
apartamento. Muuuito triste, é difícil ficar longe de quem a gente mais
ama…
Até que, veio a resposta do exame
dele… também POSITIVO pra COVID -19….
Bom, triste pela infecção dele, mas feliz por podê-lo abraçar
novamente… Afinal de contas sempre estivemos juntos… na saúde e na doença,
na alegria e na tristeza…. Não haveria de ser diferente agora. E assim foi.
Como foram os nossos sintomas? Tomamos quais medicações?
Nós dois tivemos tosse, eu tive mais cansaço e tive sensação
febril… o Gustavo perdeu o olfato, diminui o paladar, teve um pouco de tosse
e congestão nasal. Nosso maior parceiro nesse período foi o oxímetro e nunca
tivemos saturação menor que 96%. Isso ajudou nossos médicos a ter certeza que
não precisávamos ser hospitalizados. Como tivemos
tosse e febre, nossos médicos acharam melhor tomarmos azitromicina e, assim o
fizemos, tomamos cinco dias de azitromicina.
Não tomamos
hidroxicloroquina porque no HGA, conforme nosso PROTOCOLO DE PESQUISA, só estamos
prescrevendo esse remédio para os pacientes internados e graves. Então, seguimos o protocolo que ajudamos a construir, que acreditamos e que está sendo
usado no HGA.
Avisei as pessoas com quem tive contato?
Claro, assim que confirmou meu diagnóstico, eu comuniquei à comissão nomeada no HGA para o enfrentamento do COVID -19 e eles comunicaram e
colheram exames das pessoas que poderiam ter se contaminado. Graças a Deus
só duas pessoas deram positivo e estão bem, mas a grande maioria das
pessoas que conviveu comigo nesses dias antes da confirmação do diagnóstico não
teve a doença.
E por que isso acontece?
Porque como em todas as outras
infecções, quando entramos em contato com o vírus, a infecção vai acontecer a
depender de uma guerra que vai acontecer entre a quantidade de vírus e sua
capacidade de agressão x a capacidade do nosso organismo em se defender. Portanto,
nem todos que entrarem em contato com o vírus vão ter a doença.
Por que não contei para todos logo quando tive o diagnóstico
confirmado?
Por dois motivos…
Em primeiro lugar por causa da NOSSA FAMÍLIA…. moramos longe
dos nossos pais e irmãos e, como em TODAS as famílias… por eu ser
profissional da saúde, eles estavam, e estão, muito preocupados conosco e seria
muito difícil, frente a tantas notícias ruins. Convencê-los que estávamos com
COVID – 19 e que estávamos bem e não precisávamos estar internados num hospital.
Foi então que decidimos que contar somente quando estivéssemos
CURADOS, seria o melhor caminho. Afinal de contas, nós, como todos os
profissionais da saúde e suas famílias, TAMBÉM SOMOS O AMOR DE ALGUÉM.
E, em segundo lugar, porque como
LÍDER DE UMA INSTITUIÇÃO que enfrenta essa guerra, preferi trazer a NOTÍCIA
POSITIVA, A NOTÍCIA DA NOSSA CURA….. isso porque uma notícia positiva traz
paz ao nosso cérebro e coração e, consequentemente, evoca boas sensações e boas
energias…. o inverso seria muito mais difícil pra todos!!
Por fim, quero agradecer a TODOS que tornaram esses 14 dias,
dias possíveis e cheios de amor, fé e esperança.
Estarei de volta amanhã ao HGA
para me RE–UNIR A TODOS nessa batalha, que tenho certeza, seremos vencedores!
Mas NÃO SE
ESQUEÇAM, essa doença é grave, esse vírus é esperto, altamente transmissível e
letal e nossa ÚNICA CHANCE é o ISOLAMENTO SOCIAL, então… FIQUEM EM CASA.
Por fim, peço a DEUS que o isolamento social acalme essa pandemia
para que nenhum profissional da área da saúde tenha que escolher quem vai viver
e quem vai morrer. Queremos ter leitos e ventiladores para TODOS, então, FICA
EM CASA! Por favor!”

























