Jornal O 5 de abril, edição de 20 de setembro de 1957.
Anúncio na página social: “SGNH tem a satisfação de convidar seus associados e exmas.
famílias para o Baile da Primavera que acontecerá na noite de 28 de setembro
corrente em sua sede social.
Abrilhantará a noitada a excelente orquestra de Cincinato e Zabalia. Início marcado para as 23 horas. Ingresso
com carteira social e recibo 8, e as reservas de mesa devem ser feitas na Casa
Nonô.”
É, era assim, E então começavam os preparativos. Consistiam
em vestidos novos, fatiotas de meia estação, porque já não estava aí o frio de
inverno e o verão somente se
apresentaria em dezembro, quando seria encomendada a fatiota de linho para o
fim do ano, Natal e Réveillon. Durante a semana, corte de cabelo nos homens e
salão de beleza para as mulheres, mesmo que no sábado as calçadas eram varridas
com cabelos enrolados. Antes, ainda a preocupação com a reserva de mesa, pista
ou lateral, isolada ou em grupo, companhia combinada ou a gente arriscava.
Pois então, na data e horário previsto, e com um charme de 30
minutos de atraso, a orquestra atacava de Canta Brasil ou a gloriosa Aquarela,
dando início ao evento: confraternização dos casais assim ditos e oportunidade
de novas relações entre os jovens ansiosos para que isto acontecesse.
Agora saltemos quarenta anos mais ou menos. Não mudou quase
nada, e mudou quase tudo. Hoje, os bailes são substituídos por jantares
dançantes, os clubes por entidades benemerentes, quase igual. Mas agora a
grande diferença: não existem mais as grandes orquestras, com seus instrumentos
de sopro, saxofones, pistons, trombones, e o mais importante, a
sua música romântica, seus boleros, seus sambões, seus chorinhos e suas valsas.
Tudo isto num volume muidecente, educado e culturalmente maravilhoso de ser
curtido. Ao inverso dos tempos atuais, onde o principal componente é o volume.
Imaginem os mais jovens, podia-se até conversar com o pessoal da mesa vizinha.
Outra coisa que mudou foi a faixa etária dos frequentadores.
Ela veio se reduzindo até uma insuportável faixa que tende mais para baile
infantil. É menino e menina por todo lado, nos bailes de carnaval é preciso ter
cuidado para não pisar em cima de uma criança.
Mas como nada é eterno, nestes novos tempos houve uma
modificação de conduta social que chamaríamos de evolução e que tornava os
costumes dos nossos antigos bailes um evento quase jurássico: o horário do
início. Antigamente, o charme estava em chegar o mais atrasado possível em
relação ao início. Progredimos, e temos
então a grande mudança,
Com a chegada das grandes
danceterias, as grandes boates, e as discotecas – estas em todo mundo -,
parece que há um consenso universal: adulto, adulto mesmo, não entra. É o reino da juventude, com definitiva presença da
adolescência. E há então uma divisão: a
criançada não vem aos salões clássicos com suas músicas românticas e os adultos não vão a discoteca com sua zoeira
infernal.
Até onde isto for possível.

























