Li como
história contada que destacada autoridade política visitava um lugarejo
enfiado num destes bretões brasileiros,
ficando surpreendido pelo otimismo da população, sua alegria, disposição para o
trabalho que se traduzia no tranquilo progresso do lugarejo. Explicação dos simplórios
dirigentes locais: “É que a televisão não chega até aqui, não assistimos ao
Jornal Nacional, portanto, não ouvimos notícias ruins.”
Ocupando
alguns cargos diretivos aprendi que determinadas situações não podem ser
extravasadas para que não se alterem os resultados pretendidos. Mais ou menos,
que os fins justificam os meios.
E tendo este
enfoque no dia a dia é que não me conformo com os Arautos do Caos. Uma espécie de gente que atua
profissionalmente na mídia nacional se
advogando o prazer – alegam que é consciente – de estar permanentemente
alertando para o pior e criticando sistematicamente o sistema e suas propostas.
São os economistas de boca de microfone.
Logo em
seguida vem os pseudo-tributaristas . Estes estão sempre de plantão para
comentar e, principalmente, criticar qualquer ato governamental – qualquer nível
de governo, basta ser governo. Não interessa saber o que pode melhorar, o
importante é procurar o furo para avacalhar, chame-se este governante presidente
Temer, governador Sartori, prefeita Fátima ou meu parceiro de tênis, o gramadense Fedoca.
Agora, esta
gente integra uma mídia injusta e de mau caráter, porque a memória do povo que
os lê ou escuta é muito curta e a notícia fresca de hoje já é fato passado
amanhã.
Mas esta
situação ocorre em qualquer outro setor da sociedade, no futebol, numa grande
empresa, numa escola, num clube social. Existem sempre os especialistas de
plantão que “sabem de fonte segura” tal e tal coisa, que isto e aquilo não vai
dar certo e que o caos é iminente.
De minha
parte sempre fui e continuarei sendo um otimista. Sei que está fora de moda mas
continuarei a dar crédito às pessoas até prova em contrário.
Temos um
conterrâneo, aninhado entre as palmeiras nordestinas, copo de uísque com água
de coco na mão, festejado e condecorado pela casta com que conviveu por aqui
nestes últimos anos, inteligente e espirituoso, migrante político da direita
confortável para a esquerda charmosa –
que me alerta no meu otimismo dizendo que ser otimista neste país é ser
desinformado. Até pode ser, mas se ser desinformado é conviver com a iminência
do horror, curtindo a notícia do desastre, vou continuar a cultivar o meu
otimismo, acreditando antes de mais nada
na honestidade da boa intenção.
Siga o
felizardo conterrâneo – agora neo-nordestino –- curtindo seu uísque com água de coco que eu sigo daqui, gaúcho orgulhoso, mas
que continua acreditando teimosamente –-
entre um chimarrão e um bom churrasco de picanha macia buscada ali no Chirú.

























