A manhã iniciava com uma leve brisa. Era um dia lindo de sol, céu azul,
pássaros “cantando” e uma temperatura amena: o tipo de dia que precisa
se repetir.
Eram 6 horas da manhã. O alarme do celular começa a tocar uma música
calma e estimulante ao mesmo tempo. Évora desliga o alarme e começa a
acordar. Prontamente sai da cama, vai até o banheiro, faz sua higiene
matinal. Ela é o tipo de pessoa matutina, que acorda
com a energia em potência máxima.
Ela tinha um hábito: olhar no espelho, no fundo de seus olhos, e fazer uma afirmação que a acompanhava desde a infância. Foi sua
avó que a ensinou:
– Eu amo você, você está linda e pronta para agregar ao mundo o seu valor.
Era como um bálsamo, um afeto gostoso, um afago no coração alegre, um cuidado indispensável com sua
saúde física e mental. Ela tinha uma série de hábitos que
estimulavam sua personalidade e preenchiam os momentos de variação de
humor, natural dos seres humanos.
Évora sabia que nem todos os dias seriam perfeitos. Em realidade, ela
não gostava muito desta palavra. Acreditava que não existia a perfeição
além da obra de Deus. Ela entendia ser uma pessoa em
evolução constante e que através de seus erros, acertos e aprendizados iria melhorar. Era uma pessoa simples e muito resolvida.
Ela retorna ao quarto, abre a janela, percebe a beleza do dia. Coloca
uma roupa agradável e resolve ir até a varanda de sua casa. Évora morava
em uma cidade do interior, muito próxima a capital de seu estado: uma
região metropolitana.
Ela tinha uma cadeira de vime em sua varanda. Estava acostumada a
utilizá-la quando lia diariamente. Aproveitou para contemplar aquele dia
maravilhoso. Eram 6h15min da manhã. Seu trabalho se iniciava às 8h30min
e ela sempre reservava um tempo “extra” para aproveitar
seus momentos.
Já fazia um mês que ela estava praticando a meditação ativa, em que se
concentrava nas tarefas e procurava aproveitar e “degustar” os momentos.
Era um exercício de
atenção e descoberta.
Observando aquela paisagem, sua mente começou a perceber as nuances
acessíveis àqueles em que a sensibilidade e a consciência se ampliam de
forma saudável:
– Que dia lindo. Estou sentindo a emoção em estar aqui. É como se um sentimento de
abundância tomasse conta de minha alma. Parece que estarei suprida de energia
positiva em qualquer situação. A energia da natureza era um sutil
sintoma de uma paz maior, de uma ordem infinita, de um torpor ao longe.
Ela focou sua atenção em uma das flores de seu jardim. Uma flor bela,
imponente e, ao mesmo tempo, simples em sua expressão: uma margarida.
– Quantas nuances e detalhes nesta flor. Sua sutileza era mais bela do
que qualquer produção humana. O amarelo de seu centro era preenchido de
pequenos núcleos distribuídos de forma simétrica e natural. Era um tipo
de
engenharia do amor que ainda não havíamos descoberto neste planeta.
Ela se lembrou do caminho que percorreu até aquele momento inesquecível e percebeu os efeitos de estar
100% presente e atenta a tudo. Um sentimento de completude começou a surgir de sua alma: pulsante, constante, calmo e em paz.
– Certamente, a abundância recebida diariamente se reflete nesta paz que experimentei pela primeira vez. Tenho muito a
aprender deste mundo que se descortina dentro de mim com a
simples apreciação das belezas na vida… e tudo mais que esta viagem
reserva.
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
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