Na semana da retomada das aulas presenciais nas escolas municipais de Novo Hamburgo, fui procurado por alguns professores.
Eles estavam incomodados com as manifestações negativas de pais para cima dos professores.
A bronca envolvia a greve sanitária anunciada pelo Sindicato dos Professores Municipais de Novo Hamburgo (SindProfNH) e também a mensagem de áudio de uma professora, enviada aos pais de alunos, justificando o motivo de ficar em casa – ela estaria num destino de lazer.
RELATOS
De professoras incomodadas com a situação, registro três manifestações:
“Martin, os professores municipais estão voltando para as atividades presenciais. Estamos entendendo a necessidade de as crianças retornarem para as escolas. Estamos fazendo a nossa parte, com todos os cuidados Só que parece que a comunidade não percebe isso. Tem vários ataques”, desabafou uma professora.
“Estamos sentindo falta de alguém que exalte os professores que voltaram, que não fizeram greve, que fizeram atividades remotas todo o tempo. Nós existimos. E estamos sendo colocados o tempo todo dentro do mesmo saco que os outros”, lamentou outra professora.
“Sou professora da rede municipal e vou atender presencialmente na escola, assim como minhas colegas. Sei de inúmeras colegas que estarão recebendo seus alunos na segunda feira. Estamos sendo apedrejadas em rede social. Alguns professores, inclusive eu, estão revoltados com o sindicato por causa da bandeira partidária que estão levantando.”
No dia 6 de maio, o Portal Martin Behrend chegou a divulgar matéria sobre o tema: “Muitos professores municipais de NH vão ignorar greve do sindicato e retomarão aulas presenciais” – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
SINDICATO
Fui em busca de mais informações sobre o que está acontecendo. Na prática, temos a seguinte situação
– Mais de 97% dos professores municipais retornaram para as aulas presenciais nas 89 escolas de Novo Hamburgo.
– O SindProfNH criou uma greve fake – ou greve tosa de porco: muito grito e pouca lã.
Ao acessar o perfil do SindProfNH em rede social e apurar as informações do sindicato, a primeira impressão é de uma greve sem precedentes. No Facebook, estão Cards, mensagens radicais, convocações, mobilizações.
Nesta segunda-feira (17), teve carro de som do sindicato na frente do Centro Administrativo Leopoldo Petry. Nas últimas duas semanas, a diretoria do sindicato esteve na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo entregando ao presidente da Comissão de Educação e Desporto (COEDU), Felipe Kuhn Braun (PP), pauta de reivindicações. Desta forma, o sindicato criou uma narrativa, nas últimas três semanas, de que estamos vivendo uma imensa greve sanitária.
Para esta quarta-feira, o sindicato está convidando para o “Ato Abraço à Comusa”, em memória ao servidor Anderson Silva dos Santos, que foi vítima da Covid-19. O ato também será estendido aos trabalhadores que estão expostos diariamente. É mais uma ação do contexto da greve sanitária.
É uma narrativa que segue a cartilha do CPERS, sindicato muito íntimo e admirado pelo SindProfNH.
NÃO SE SUSTENTA
Só que a vida real desmonta esse cenário criado pelo SindProfNH. Não se sustenta.
Informações apuradas pelo Portal Martin Behrend junto à Secretaria Municipal da Educação apontam que, nesta terça-feira (18), 40 professores não estariam indo às aulas. Destes, 20 são grevistas e 20 são professores com comorbidades confirmadas por laudo médico.
Na semana passada, eram 42 grevistas, mas nesta semana 22 teriam voltado para as salas de aula. Em relação às comorbidades, antes da criação de uma comissão para avaliação de laudos médicos, 72 professores haviam se posicionado com comorbidades. Com a necessidade de apresentar o laudo, até o momento, apenas 20 trouxeram a comprovação.
Novo Hamburgo tem quase 2.000 professores. Hoje, dentro do universo dos grevistas e dos servidores com comorbidades, são 40 que não estão indo presencialmente – podem existir casos pontuais de falta num dia por questão de saúde, por exemplo.
A greve sanitária anunciada pelo SindProfNH, na prática e no mundo real, é uma greve fake.
CUIDADOS
Todas as pessoas com juízo estão preocupadas com a pandemia. Já morreram e/ou foram severamente contaminados enfermeiros, médicos, ferroviários, motoristas, lixeiros, mecânicos, faxineiras, engenheiros, padres, pastores, jornalistas, músicos, radialistas, garis, catadores, políticos, atores, trabalhadores da indústria, comércio e serviços. O drama é generalizado.
Eu, por exemplo, perdi colegas de profissão e amigos que precisaram seguir trabalhando pois não têm salário garantido todo final de mês. O risco existia, e precisavam trabalhar. É uma dor imensa.
Ao mesmo tempo, é comprovado que os protocolos sanitários, sendo observados de forma correta, protegem ou inibem uma contaminação mais forte. Basta ver quantos seguiram suas atividades desde o início da pandemia e não foram contaminados.
Os professores cobram mais materiais de proteção e um cronograma de vacinação que incluam professores de todas as redes e também os funcionários e colaboradores das escolas.
A Prefeitura reforça que cada professor está recebendo três máscaras de algodão, com proteção dupla. A cada mês virão novas máscaras. Isso também vale para os alunos, que recebem três por mês dentro dos tamanhos adequados. A Prefeitura ainda busca outros modelos.
Sobre a vacinação, a aplicação iria começar no final de semana passado, mas uma decisão do STF impediu, conforme noticiado pelo Portal Martin Behrend: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… . O primeiro Drive Thru para os professores ocorre neste sábado (22).
Resumindo, não existe greve. Existe uma adesão maciça dos professores municipais no retorno às aulas, indo reencontrar seus alunos. Cuidando da higiene, observando os protocolos, preservando a saúde.
E, fundamental, permitindo que as crianças possam retomar, gradativamente, suas rotinas. É importante reforçar que as aulas estão ocorrendo no formato híbrido, e os pais que não se sentem seguros podem deixar as crianças em casa, com aula remota.
Está sendo um período de sacrifícios. Para praticamente todos os brasileiros. Basta ver os milhões que está recebendo auxílio emergencial por um simples motivo: ficaram sem trabalho. Milhões nem trabalho estão tendo para assegurar o sustento da família.
E, de forma muito triste, ainda temos mais de 435 mil mortos pela doença.
As aulas presenciais nas escolas municipais retornaram com a imensa maioria dos professores presentes. O resto é greve fake do sindicato.

























