Vendo lotes no céu que tem como prioridade
o desenvolvimento da coletividade, a especulação do bem e o avanço da segurança
interior.
Quando São Pedro me perguntou com a chave do Reino de Deus na mão
quais eram as minhas posses, instantaneamente sumiram as escrituras. Por quê?
A metáfora serve para refletir mesmo! Em
troca da segurança interior queremos a segurança externa. Lotes que nos dão
renda, posses que nos beneficiam e controle, ilusório, de que isso define a
escolha dos rumos de alguma região.
Nunca disse que não tínhamos o direito de
gastarmos da forma como desejamos o que temos, vivemos num país de livre
iniciativa. A questão é o apego excessivo
e extremo ao que, em realidade, não é nosso. Morreu, fica tudo!! Família vende
tudo ou não!
Experimente buscar algum imóvel de grandes
proporções na região metropolitana de Porto Alegre, que seja urbano, com
potencial imobiliário e que o dono não vende ou o valor é tão absurdo que chega
a espantar? Procure então ao longo da BR-116 algum terreno assim. Achou?
Pois é! Se achou, parabéns! O que vai fazer
com ele? Garantia de futuro? Especulação imobiliária? Investimento à família?
Algo além do próprio interesse?
Percebe-se vários imóveis de aluguéis
comerciais fechados em nossa região e que permanecem assim.
Qual foi o foco dos investimentos antigos
que permanecem até hoje, sem utilização? Industrial? Acertou! E hoje?
Residencial? Será?
Vale do Sinos é um ótimo lugar para morar.
Morar é um bom atrativo da nossa região!
Ótimo!! Trânsito nem chega perto da confusão que é em Porto Alegre, Rio ou São
Paulo. O trem nos leva a capital sem esforço e a um custo baixo. Temos toda
infraestrutura das grandes cidades sem perder o aspecto local, além de um povo
hospitaleiro, desde a época do calçado, recebendo pessoas do estado, país e
mundo.
Olho para o Vale do Sinos hoje e me lembro
da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Sei que a comparação pode ser esdrúxula,
mas me permitam o pensar!
Quando morei lá, há 20 anos, a Barra era
uma praia da Zona Sul do Rio. Hoje, além dos atrativos de praia é o local de
residência de muitas pessoas importantes, inclusive do presidente eleito.
Várias empresas multinacionais tem seus escritórios
lá, pois facilita o deslocamento de seus executivos ao trabalho e, tenho
certeza, que se houvessem espaços, haveriam várias indústrias para facilitar a
vida de todo mundo, diminuindo custos e a perda de tempo.
É aí que quero chegar!! Um contra-ponto:
temos um campo enorme para moradia com qualidade de vida aqui mas não temos
espaços para instalação de plantas industriais maiores. Por isso citei a
Indústria Criativa, no ultimo artigo, como alterativa de desenvolvimento.
De nada adianta termos mutos locais de boa
moradia se não temos negócios que gerem renda e empregos para a manutenção
dessa qualidade. E o pior: aconteceu essa “sinuca de bico” sem planejamento!!
Exato!
Planejamento Urbano e Integração
Estudei Arquitetura no Ensino Médio e tenho
alguns conhecimentos técnicos, mas, reafirmo, não é minha área principal de
expertise. Mas me atrevo a dizer que deveríamos pensar em um estudo amplo da
nossa região interligando cada vez mais os municípios e facilitando a moradia e
o empreendedorismo aqui.
Esse planejamento urbano seria um mapa de
possibilidades de investimento e valorização dos imóveis locais e uma forma de
atratividade ao mundo, já que aqui há aspectos únicos que não se encontram em
outros lugares por ai. Também já citei: hospitais, universidades, áreas
turísticas, teatros, cultura, eventos…
Esta estratégia geraria um volume maior de
IPTU aos municípios, ou seja, dinheiro que fica aqui sem ir a União. De outra
forma, a implantação de polos de Serviços gerariam ISSQN, outro tributo
municipal. Já temos uma base de serviços na região muito ampla, mas poderíamos
ter mais, com um pouco mais de visão a longo prazo! Vamos parar de reclamar e
começar a inovar!
Gosto
de aproveitar exemplos bons, apesar dos partidos! Em uma cidade da nossa
região se criou um gatilho na alíquota do ISSQN que atraiu uma série de
empresas de serviços em busca de competitividade. Guerra fiscal? Pode ser! E
funcionou! Eu diria: Inteligência Fiscal.
Se citarmos somente as empresas de
tecnologia, teríamos uma plêiade de pessoas com uma renda média muito maior do
que a atualmente existe. Somente citando um dado de pesquisa realizada pela Firjan
(2016), destacando que os trabalhadores das Indústrias Criativas no Rio de
Janeiro tinham uma média salarial, a época, de R$ 6.270,00 contra R$ 2.451,00 de
outras áreas da economia.
São quase três vezes mais! Já imaginaram! Se a
maioria das pessoas que morassem em nossa região tivessem essa renda média? Se
pensou, acertou: mais consumo, mais renda, mais empregos e mais recursos aos
cofres dos municípios, empregados e empresários locais. Todo mundo ganha! Não
me recordo na época áurea do calçado, mas acredito ser este um valor maior!
Não é a toa que insisto nesse conceito!
Outros locais no mundo, inclusive na Inglaterra, onde tudo iniciou-se,
conceitualmente, e no Brasil, tem sucesso e vivem muito bem, obrigado!
Se aproveitasse o trocadilho do título
diria que se loteiam sonhos com inteligência e me preocuparia muito mais com a
prioridade do que com a propriedade de investimentos.
Já pensou no que fazer com aquele imóvel
parado há algum tempo? Ou imóveis? Aplicar em desenvolvimento regional e
qualidade de vida é um ótimo negócio e uma bela forma de ajudar a comunidade e
a família! Por quê não?
César Silva é professor, escritor, consultor,
mentor, empreendedor e empolgado com causas inspiradoras!
Head of Business @cesarsilvasimplesmente, Professor/Tutor
Externo IERGS/Uniasselvi, Conselheiro da Fenac S.A.
Artigo publicado no
portal www.martinbehrend.com.br .
Disponível em www.cesarsilvasimplesmente.com.br e www.inspirandorumos.com.br.
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