A quinta-feira (22) traz uma excelente notícia para milhares de moradores de municípios atingidos pela cheia do Rio dos Sinos. Junto desse contexto positivo, eu também tive uma boa surpresa.
Mas, vamos por partes. O principal: o nível do Rio dos Sinos continua baixando.
Na segunda-feira (19), teve a máxima de 8,03 metros. Já nesta quinta-feira (22), às 10 horas, o Rio dos Sinos havia baixado para 6,84 metros. E, na tarde de hoje, certamente reduziu mais.
Em Campo Bom, a situação se repete. A medida de 6,98 metros era a marcação às 11 horas desta quinta-feira. O máximo foi 7,60 metros, às 17 horas do domingo (18). De acordo com a Defesa Civil, mesmo com a previsão de chuva, o nível do rio vai seguir diminuindo nos próximos dias.
RETORNO
Com a baixa do rio, centenas de famílias estão retornando para suas residências. Agora, virão dias para avaliar o que pode ser aproveitado e o que precisa ser descartado.
Nesta quinta-feira, em Novo Hamburgo, 110 pessoas estavam abrigadas no Ciep, em Canudos, e outras 29 pessoas estava na Igreja Mevam, em Lomba Grande. O pico foi 370 pessoas alojadas em quatro abrigos. Em São Leopoldo, também restam poucas famílias alojadas.
CHAVE REAPARECEU
Com as águas das regiões alagadas retornando para o Rio dos Sinos, é possível conferir estragos e relembrar histórias dos últimos dias, a partir da passagem do ciclone extratropical pelo Rio Grande do Sul.
Como jornalista, estou acompanhando e realizando cobertura desde a manhã de sexta-feira (16), quando o ciclone ainda atuava na região após uma madrugada de muita chuva e estragos. Ainda no microfone da Rádio União, informamos cancelamentos de aulas e bloqueios de estradas.
Passei todo o final de semana repassando informações, levando atualização aos leitores, fazendo alertas e publicando notícias no Portal Martin Behrend e nas redes sociais.
Entre tantas idas e vindas, aconteceu um momento de perda. No final da manhã de domingo, fui até a Vila Integração, em Lomba Grande, a poucos metros da estação de captação de água da Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo. Esta área tem um histórico de, em eventos excepcionais, ter alagamentos e as águas invadindo ruas e casas.
No sábado, eu já tinha estado lá, mas a situação ainda estava sob controle. Já no domingo, o cenário foi bem diferente…
Na parte mais baixa da localidade, havia um grande fluxo de barcos, lanchas e canoas. As famílias estavam sendo resgatadas e retiradas de suas casas, já que tinha mais de um metro de água acumulada.
Era resgate de barco pra lá, resgate de barco pra lá. Muitas pessoas poderiam sair de casa com a água pela cintura, mas esperavam o transporte para o resgate, onde eram levadas até outro ponto mais seco.
Impressionado com o fluxo de barcos, decidi ingressar no alagamento para registrar a situação, alertar as autoridades, mobilizar as pessoas para doações e informar a população sobre a real situação da cheia do Sinos.
E assim fui entrando. Estava de tênis, bermuda, camisa e moletom – não era o traje ideal muito menos recomendável. Mas tem horas que o jornalista precisa superar as adversidades em nome da função de informar e comunicar.
A água estava gelada. Foi molhando os calcanhares, as panturrilhas, as coxas… sim, ali também. Fiquei com água pouco acima da cintura, pegando de leve no moletom.
Fui transmitindo as informações, registrando as notícias, alertando as autoridades de como estava a situação. Fiquei cerca de meia hora por ali.
Aqui está o link da transmissão: https://fb.watch/leOQ5kU-ZS/?mibextid=cr9u03 .
Quando deixei o alagamento para ir pro carro, percebi que estava faltando alguma coisa: a chave do carro e a carteira estavam no bolso do moletom, mas a chave de casa, não. Ela tinha caído no alagamento. Não restou outra coisa fazer: ir embora e pedir para alguém abrir a porta de casa, quando eu voltasse. A queda foi no domingo.
ESPERANÇA
Nos dias seguintes da semana, continuei realizando a cobertura dos alagamentos e das cheias. E, de terça-feira em diante, passei a conferir a situação na Vila Integração. Dia após dia, a água foi descendo. Conversei com moradores, falei sobre outras cheias, vi muita gente descartando colchões, armários, móveis… Mas a água seguia ainda alta, a rua não aparecia.
Foi nesta quinta-feira que a água baixou consideravelmente. E lá fui eu, novamente, reencontrar moradores, saber como estava a situação de retomada. E, claro, ver se localizava a chave.
Fui caminhando pela rua de chão batido, olhando nas poças d´água, até que… Bingo! Lá estava o chaveiro! Molhando, no meio do barro, das britas, meio sujo, mas estava ali.
Chave de casa localizada, faltava saber se a Tag da porta do prédio estava funcionando. Então? Sim, funcionando, mesmo após cinco dias submersa.
Eita! Chave recuperada! Coisa boa.
E, o principal: o testemunho que as águas estão baixando e a vida de muitas famílias, aos poucos, vai retomando a normalidade.
























