Minha primeira
visita à Europa foi em julho de 1994, primeiro mês da implantação do Real,
nossa nova moeda, nossa nova esperança. Vínhamos de
um período de complicado ajuste monetário, desconfiado processo de frenagem de uma hiper-inflação
que há anos vinha entortando o valor do nosso dinheiro.
No
descrédito do nosso cruzeiro, os centavos eram pura retórica monetária. As moedas correspondentes, então, estavam
quase totalmente fora de circulação. Para estas moedas ninguém dava bola e o
centavo não valia nada.
Passando
alguns dias com meu filho Tomás na Alemanha, eu, deslumbrado, ia seguidamente ao supermercado. Numa das
passagens pelo caixa fiz uma compra de DM$ 4,99
paguei com uma moeda de DM$ 5,00, virando as costas para sair e desprezando aquele miserável centavo de troco. Não
cheguei a dar quatro passos e a rotunda caixeira, que já nos sabia
brasileiro, trovejou, alertando para que
pegássemos aquele “pfenning”, que se no Brasil não valia nada, na Alemanha
aquilo era dinheiro e tinha valor como qualquer outra quantia.
Desde então, o centavo e as suas moedas múltiplas
passaram a ter novamente valor aqui no Brasil. Ou quase. E sabem por que
quase? Porque há um deboche, um ranço de
cultura inflacionária em grande parte do
comércio pelo descrédito da moeda de 1
centavo.
O produto é
anunciado espertamente com R$ 0,99 centavos mas não existe 1 centavo para dar
de troco, o cliente não reclama e então fica por isto mesmo. Enfim, isto é
Brasil.
Sei não, mas
acho que deveria haver mais respeito pelo 1 centavo – e por extensão e decorrência,
pelo próprio cliente. Mas é que isto não
é esperteza, não, é incultura mesmo.

























