O futuro da área do antigo Estádio Santa Rosa está
indefinido. Essa é a visão e a esperança de centenas de hamburguenses que
seguem mobilizados para impedir a construção de um megaempreendimento da MRV
Engenharia – o projeto contempla torres residenciais com até 600 apartamentos,
recebendo cerca de 2.000 moradores e 800 veículos. A empresa começou a mexer no
terreno do Bairro Vila Rosa há duas semanas, contudo, a movimentação foi
paralisada em função da ausência da devida licença ambiental. A MRV foi atuada
(Auto de Infração 746/2016), incluindo multa e a paralisação imediata da obra.
Desde que foi anunciado um megaempreendimento residencial no
local com centenas de novas unidades habitacionais, há cerca de três anos, moradores
vêm se mobilizados em função dos impactos que o investimento vai representar
para a região. Mobilidade urbana, danos ambientais, saneamento básico, malha
viária sucateada e infraestrutura de serviços públicos insuficientes foram
alguns dos problemas apontados. “É só ver o que ocorreu nesta semana. O Arroio
Luiz Rau transbordou. A Avenida Nações Unidas foi alagada e virou um rio.
Imagina se no lugar do estádio, onde temos gramado e uma espécie de esponja,
tivermos mais concreto? Essa região ficará com maiores transtornos a cada nova chuva forte. Essa parte da cidade não suporta mais”, pontua a moradora Andrea Kehrwald
Möller, que participa do grupo que acompanha o desenrolar da obra.
Ao longo desses três anos, o grupo realizou carreatas,
investiu em faixas de protesto, pressionou por audiência pública, mobilizou vereadores,
mas nunca foi ouvida de forma adequada pelo Poder Executivo. O fato novo é a
chegada de Fatima Daudt (PSDB) ao comando da Prefeitura. “Ela é arquiteta e urbanista.
Temos uma sinalização que ela vai nos ouvir e acompanhar esse caso”, salienta
outro integrante do grupo. Nesta semana, o grupo voltou a se reunir em um
prédio do Vila Rosa para determinar os novos passos.
O pleito dos moradores é um só: a Prefeitura de Novo
Hamburgo deve desapropriar a área. Pagar para a MRV o que vale o terreno e transformar
o antigo Santa Rosa num grande parque público. A área estaria avaliada entre R$
12 milhões e 15 R$ milhões. “Qual o futuro que vamos deixar para nossos filhos
e netos? Prédios e mais prédios? Concreto e cimento? A cidade precisa desses
espaços. Será uma praça dos hamburguenses, não só da Vila Rosa”, frisa Andrea. Numa
análise mais direta, a criação desse parque beneficiaria diretamente moradores
do Centro, Rio Branco, Operário, Rincão e Guarani, além do Vila Rosa. Mas seria
um espaço público disponível a todos. “Queremos área verde, espaços esportivos,
locais para exercícios, encontros das famílias. É isso que faz falta na cidade
e que precisamos ter pro futuro”, destaca a moradora.
O Ministério Público (PMP) também acompanha o avanço desse
empreendimento. Numa solicitação mais recente, o MP pediu que Prefeitura e MRV apresentem
detalhes do projeto e do estudo dos impactos ambientais. “Essas informações não
estão claras. Além disso, foram usados números e dados de dez anos atrás. A
cidade evoluiu muito”, comenta Andrea. O Portal Martin Behrend tenta há meses
ouvir o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Moisés Medeiros
(PCdoB), mas ele não repassa informações. Por que o secretário não quer
informar a comunidade sobre a obra? Quem ele quer proteger? O que Moisés quer
esconder dos hamburguenses?
A reportagem do Portal Martin entrou em contato com a assessoria
de imprensa da MRV e da Prefeitura de Novo Hamburgo. Foram enviados e-mails
solicitando esclarecimentos e fazendo questionamentos sobre o perfil da obra
planejada para o local bem como as mitigações/compensações. Até o fechamento da
reportagem, hão houve qualquer retorno da MRV e Prefeitura.
























