A patinadora hamburguense Talitha Haas conquistou, neste domingo, um dos maiores prêmios de sua trajetória na modalidade. Ela foi medalha de prata na patinação artística nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. Logo após o feito, a atleta de 20 anos confirmou a jornalistas que acompanham a competição: deve encerrar a carreira neste ano. O motivo é conhecido de muitos atletas: falta de patrocínio.
Além da prata em Toronto, Talitha já havia conquistado, com apenas 16 anos, a medalha de bronze no Pan-Americano de Guadalajara, no México, em 2011. Nestes quatro anos, ela manteve o foco nos treinos, superando todo tipo de dificuldade e sempre se deparando com o fantasma da falta de apoiadores. A determinação em melhorar seu rendimento permaneceu, mas o tempo foi passando e não surgiram investidores interessados em patrocinar uma atleta de elite da patinação artística mundial. Essa percepção de que somente com “paitrocínio” seguiria atuando na modalidade fez com que ela ingressasse no curso de Engenharia Química, na Universidade Feevale, já prevendo a necessidade de buscar um outro caminho.
Aliás, Talitha só participou do Pan de Toronto por não ter estágio previsto para o período. Tivesse o compromisso com a faculdade, o Brasil não teria somado mais essa medalha de prata. A hamburguense deverá participar do Mundial de Cali, na Colômbia, previsto para setembro, e depois, tudo indica que vai pendurar os patins. Não por falta de vontade. Não por falta de talento. Não por falta de competência. É por pura falta de patrocínio. Curiosidade: Talitha é treinada por Janaína Espíndola, medalha de bronze no Pan de Winnipeg, no Canadá, em 1999.
O gestor da Sociedade Ginástica, Marcos Bock, confirma que o clube fará uma merecida recepção para Talitha. Ela lamenta a falta de patrocinadores para viabilizar a continuidade da patinadora ginastica e diagnostica um dos pontos que podem afastar empresas. “A patinação artística não é modalidade olímpica e, infelizmente, isso inibe alguns interessados”, avalia. Bock reforça que, mesmo com a medalha de prata, a Ginástica não recebeu contatos de patrocinadores em potencial. “Como clube, também temos as nossas limitações. Só podemos elogiar e reconhecer todo esforço da Talitha, inclusive treinando de madrugada e em horários alternativos
para se manter num alto nível. É o esforço dos grandes campeões”, finaliza.
























